WorldLeish 2022 traz como destaque avanços e novas descobertas da pesquisa em leishmanioses no mundo

Publicação: 8 de dezembro de 2020

Durante quatro dias, os maiores especialistas mundiais vão trocar ideias, compartilhar avanços, descobertas, projetos e atualizar o status da doença no evento mais importante do mundo em leishmanioses

É necessário que a comunidade científica internacional tenha em mente a problemática desta doença e que sejam geradas ações para o seu controle

Devido à pandemia de COVID-19 e à incerteza sobre a duração e os efeitos da doença, foi necessário adiar o Worldleish 7 por um ano. Mesmo com tantas mudanças na dinâmica mundial, a organização do evento espera participação internacional massiva e que não haja dificuldades para que a comunidade Leishmaníaca de todo o mundo possa participar presencialmente. O congresso será realizado entre os dias 23 e 28 de maio de 2022 na bela cidade de Cartagena de Índias (Colômbia), declarada como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O presidente do Worldleish 7, Dr. Iván Darío Vélez, reconhece que os preparativos estão indo muito bem. “Temos um comitê organizador internacional formado pelos doutores Jorge Alvar, da iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês); Carlos Henrique Nery Costa (Brasil); Felix Tapia e Alexis Mendoza (Venezuela); Nancy Saravia, do Centro Internacional de Entrenamiento e Investigaciones Médicas (CIDEIM); Gabriela Delgado (Universidade Nacional da Colômbia) e os pesquisadores Carlos Muskus e Sara Robledo, do Programa de Aprendizagem e Controle de Doenças Tropicais (PECET), da Universidade de Antioquia. Contamos ainda com o acompanhamento dos Drs KP Chang, Luigi Gradoni e Jerome Depaqui”, detalha. Ainda segundo o Dr. Velez, há um programa científico provisório, uma página oficial onde os interessados podem revisar informações sobre o evento, redes sociais como Facebook e Twitter e um banco de dados com mais de 1.400 contatos relacionados ao mundo das leishmanioses. “Algo fundamental é que contamos com o apoio do comitê mundial Worldleish para as atividades de organização da sétima versão do congresso e o nosso objetivo é fazer um Worldleish 7 com qualidade e participação semelhantes ao WorldLeish 6, realizado em Toledo , em 2017. Para isso, esperamos participação significativa de pesquisadores e estudiosos da Leishmaniose na América Latina”, destaca.

Enquanto o evento não chega e para manter o entusiasmo da comunidade interessada no assunto, estão sendo realizados, a cada dois meses, webinars Pré-WorldLeish7, que contam com a participação de especialistas na doença, que servem de preparação para o congresso em 2022. O primeiro webinar foi com o professor Peter Hotez e o segundo contou com a participação do professor Shyam Sundar, da Índia. O terceiro foi com o Dr. Daniel Argaw, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o quarto teve a participação do Dr. Jeffrey Shaw, do Brasil. O quinto será com o Dr. Koert Ritmeijer, da organização humanitária internacional Médicos sem Fronteiras (MSF, na sigla em português). “Com a participação dessas grandes personalidades do mundo da pesquisa e das leishmanioses, não só nos apresentam os avanços de suas pesquisas, mas, por serem referências internacionais, os webinars são uma excelente plataforma para motivar pesquisadores de todo o mundo a participarem do Worldleish 7 e continuarem pesquisando e ampliando o estudo do tema Leishmanioses”, assinala o Dr. Velez.

O programa científico do congresso abordará tópicos que vão desde a ciência básica até programas de controle e eliminação da doença. As agendas incluem conferências principais, simpósios, cursos pré-congresso, reuniões para alianças temáticas, prêmios para apresentações de alunos, além de eventos sociais e culturais. De acordo com o Dr. Velez, a déia é demonstrar os avanços que vêm sendo feitos no mundo no estudo e controle dessa doença. “É um evento importante que reúne não só os Leishmaníacos, mas também interessados em conhecer esses avanços para que, participando deste congresso, possam motivar e aumentar seus esforços de inovação para o controle das leishmanioses”, enfatiza. O destaque principal serão os avanços e as novas descobertas da pesquisa em leishmaniose em todo o mundo; onde se espera que pesquisadores, profissionais e estudantes troquem experiências para identificar e gerar novas questões relacionadas à pesquisa.

Questionado sobre os resultados que o Worldleish 7pretende alcançar, o Dr. Velez diz que este evento pode despertar o interesse de jovens pesquisadores, financiadores, empresas farmacêuticas e autoridades de cada país pelo tema/doença, que atualmente continua negligenciada, atinge milhões de pessoas no mundo, e ainda apresenta grandes GAPs como a falta de melhores medicamentos, procedimentos diagnósticos, vacinas e medidas de prevenção.

Investimentos podem salvar vidas

A leishmaniose é uma doença principalmente de países em desenvolvimento que apresentam problemas de saúde, falta de acesso a medicamentos e à consulta médica, por isso, torná-la visível pode salvar vidas e o controle efetivo implica na necessidade de melhorar as condições dessas pessoas. O Dr. Velez explica que as estratégias de prevenção e controle estão ligadas à ecoepidemiologia da doença, complexa e que tem diferentes ciclos de transmissão, muitas espécies de parasitas e vetores. E as estratégias que se desenham devem ser orientadas às particularidades de cada local de transmissão. Estratégias gerais como vacinas e melhores tratamentos são aguardadas com grande expectativa, daí a importância de investir nesses desenvolvimentos.

Para ele, faltam investimentos em uma solução que pode salvar tantas vidas. “O problema com as doenças tropicais negligenciadas é que são doenças negligenciadas pelos governos e por empresas farmacêuticas multinacionais. Eventos como o WorldLeish buscam dar visibilidade a essas enfermidades e ao drama de milhões de pessoas no mundo que sofrem com elas, motivar aqueles que tomam decisões a investir e pesquisar sobre essas doenças. “Justamente por torná-la visível por meio da criação de eventos como o WorldLeish e webinars, o trabalho da OMS e o interesse dos pesquisadores avançam, se manifestam e ganham força”, ressalta.

Em relação a uma solução para as Leishmanioses, o Dr. Velez é categórico ao afirmar que os esforços desenvolvidos por entidades como a OMS, TDR e DNDi, entre outras, têm apresentado resultados exitosos em algumas iniciativas. “A situação da leishmaniose visceral no subcontinente indiano está muito melhor agora, graças aos avanços em programas de controle eficazes e novos regimes terapêuticos. “Porém, ainda exige esforço, não temos vacina e precisamos de medicamentos menos tóxicos, mais eficazes e mais baratos para a leishmaniose cutânea. Ainda temos muitos desafios pela frente, mas também nos mostram resultados excelentes e promissores que nos fazem enxergar o futuro com otimismo”, sublinha.

É necessário que a comunidade científica internacional tenha em mente a problemática desta doença e que sejam geradas ações para o seu controle. O presidente do WorldLeish 7 acredita que este seja um motivo importante para convocar autoridades, governos, empresas farmacêuticas e entidades altruístas a considerarem a necessidade de investigar o desenvolvimento de novas tecnologias e novos produtos para esta doença esquecida. É também uma oportunidade para convidar todos os pesquisadores, especialmente aos jovens e estudantes, para realizarem seus trabalhos no estudo das Leishmanioses.