OMS emite alerta relativo às ampolas de antimoniato de meglumina falsificadas no Irã e no Paquistão

Publicação: 5 de junho de 2019

Organização Mundial da Saúde pede maior vigilância para esses produtos específicos. O fato é muito grave e pode acontecer no Brasil

Até o momento, a OMS não foi notificada sobre reações adversas atribuídas ao uso de um desses dois produtos falsificados

Em janeiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi informada de que, no Irã, os pacientes poderiam comprar um produto chamado GULUCATIME, supostamente fabricado pela Tillotts Pharma AG, entretanto verificações realizadas pela OMS confirmaram que o produto era falsificado. O produto é apresentado em embalagens contendo cinco ampolas e o pacote, rotulado em inglês e francês, contém erros de ortografia nos dois idiomas.

Em março, a OMS foi informada de que no Paquistão os pacientes poderiam adquirir um produto semelhante chamado GLUCATIME, supostamente fabricado também pela Tillotts Pharma AG, cuja falsificação também foi confirmada. Os resultados das análises laboratoriais fornecidas pela OMS indicaram que o produto não foi fabricado de acordo com as boas práticas de fabricação.

Embora a embalagem ou os folhetos de ambos os produtos (Gulucatime e Glucantime) indiquem que são fabricados pela Tillotts Pharma AG, a empresa confirmou à OMS que não fabrica, subcontrata a fabricação ou distribui esses produtos em qualquer parte do mundo.

O Dr. Ali Khamesipour, de Teerã, diz que esse tipo de alerta é comum no Irã, entretanto esse evento é raro para a leishmaniose. O professor explica que as medicações utilizadas para o tratamento da doença são importadas pelo governo (Ministério da Saúde) e distribuídos na rede pública de saúde para os pacientes e que, neste caso, as ampolas de antimoniato de meglumina foram adquiridas por uma empresa e vendidas para o Ministério da Saúde, como as ampolas e as embalagens eram similares ao Glucantime original, as autoridades não suspeitaram que eram falsas. Para ele, esta falsificação poderia ter sido evitada e espera que não aconteça novamente.

Para evitar tais ocorrências, a OMS pede maior vigilância nas cadeias de fornecimento dos países que podem ser afetados por esses produtos médicos falsificados. Tal vigilância ampliada deve incluir hospitais, clínicas, centros de saúde, atacadistas, distribuidores, farmácias e qualquer outro fornecedor de produtos médicos.

O Dr. Khamesipour adverte que os pacientes que fizeram uso do medicamento falsificado devem suspender a medicação. “Uma vez que os resultados da análise ainda não estão prontos, não sabemos como prevenir a toxicidade e os efeitos colaterais. Os profissionais de saúde são fundamentais nesta situação e podem ajudar entrando em contato com os pacientes repassando as informações e também devem coletar todo o medicamento não-utilizado”, reforça.

Os casos de falsificação ocorreram no Irã, Afeganistão, Uzbequistão e Paquistão. No caso do Irã, o fato ocorreu devido à falta da medicação. De acordo com o Professor Khamesipour não houve comercialização. “O Ministério da Saúde comprou 50 mil ampolas a um custo original de USD 1,20 cada. Essa foi a primeira ordem de compra que deveria ser repetida em maior escala, mas foi interrompida, felizmente”, assinala.

Mesmo para os profissionais de saúde que lidam com este tipo de tratamento e fazem aplicações regularmente é praticamente impossível diferenciar um produto falsificado de um de boa procedência “Não é fácil distinguir entre os remédios originais e os falsificados. Os profissionais de saúde devem ser muito cautelosos e caso notem qualquer mudança na medicação ou efeitos adversos nos pacientes, devem informar as autoridades imediatamente e tomar todos os cuidados interrompendo o uso dos medicamentos, acrescenta o Dr. Khamesipour. Por fim, ele enfatiza que as autoridades devem sempre adquirir medicações das fontes originais e consultar especialistas antes de efetuar a compra de medicamentos.

A OMS conta com uma página que tem como objetivo garantir uma resposta oportuna, precisa e consistente aos eventos de saúde decorrentes de produtos médicos que representam uma ameaça significativa à saúde pública internacional. Leia aqui o Alerta de Produto Médico Nº 7/2019.