A vacina Sarampo, Caxumba e Rubéola não está associada ao risco para autismo

Publicação: 4 de junho de 2019

Measles, mumps, rubéola vaccination and autismo. A Nationwide cohort study. Ann Intern Med 2019; 170: 513-20.

Qual é o problema e o que se sabe sobre isso até agora?

Muitos pais optam por não vacinar seus filhos por causa da preocupação com o autismo, embora hoje se saiba que o estudo de 1998 que afirmou que as crianças que recebem a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR) apresentavam risco aumentado de autismo era fraudulento. A baixa cobertura de vacinação SCR levou a epidemias de sarampo, que podem ser mortais. Pessoas não vacinadas que desenvolvem sarampo podem transmitir a infecção para bebês que ainda não foram vacinados. Muitos estudos não mostraram nenhuma ligação entre a vacina SCR e o autismo, mas uma crítica tem sido que eles não examinaram especificamente se a vacinação SCR poderia desencadear autismo em grupos específicos de crianças suscetíveis.

Por que os pesquisadores fizeram esse estudo?

Para ver se havia uma relação entre a vacina SCR e autismo não só em todas as crianças, mas também em grupos específicos de crianças suscetíveis.

Quem foi estudado?

Foram estudadas 657.461 crianças nascidas na Dinamarca de 1999 a 31 de dezembro de 2010.

Como foi elaborado esse estudo?

Os pesquisadores usaram registros populacionais para coletar informações sobre vacinação SCR e outras vacinações infantis, diagnósticos de autismo, história de autismo de irmãos e vários fatores que se acredita estarem relacionados a um risco maior de autismo. Eles então analisaram se o autismo se desenvolveu em crianças que receberam a vacina SCR em comparação com aquelas que não o fizeram durante o período de acompanhamento.

O que os pesquisadores encontraram?

Durante o período de acompanhamento, 6.517 crianças foram diagnosticadas com autismo. As chances de desenvolver autismo foram as mesmas em crianças que receberam a vacina SCR e aquelas que não a receberam. Da mesma forma, não houve aumento do risco de autismo após a vacinação com SCR em subgrupos de crianças de acordo com história de autismo de irmãos, fatores de risco de autismo ou outras vacinações infantis ou durante períodos específicos após a vacinação.

Quais foram as limitações do estudo?

O estudo usou dados de registros, e não prontuários médicos ou exame físico direto das crianças pela equipe de pesquisa. A pesquisa foi financiada pela Fundação Novo Nordisk.

Quais são as implicações do estudo?

O risco para o autismo não foi diferente em crianças que receberam a vacina SCR do que em crianças que não receberam essa vacina. Isso permaneceu verdadeiro mesmo entre as crianças que tinham fatores de risco para o autismo, como um irmão com autismo ou um pai mais velho.