SARS-CoV-2: impacto das vacinas de reforço nas variantes

Publicação: 8 de agosto de 2022

Estudo avaliou a segurança e a imunogenicidade das vacinas nas variantes do SARS-CoV-2

Títulos mais altos de Ômicron BA.1 foram observados com vacinas contendo Ômicron em comparação com a vacina Protótipo e títulos contra Ômicron BA.4/BA.5 foram menores do que contra BA.1 para todas as vacinas candidatas

Em um estudo pré-print publicado no medRxiv intitulado SARS-CoV-2 Variant Vaccine Boosters Trial: Preliminary Analyses, os pesquisadores avaliaram a imunogenicidade e a segurança das vacinas contra as variantes do SARS-CoV-2. Nele, a equipe analisou a magnitude e o espaço entre a reação inicial de anticorpos neutralizantes após uma segunda vacinação de reforço com vacinas experimentais específicas ou uma combinação de vacinas contra a Covid-19, considerando o contexto imunológico diversificado do SARS-CoV-2 observado no público em geral.

Para este estudo randomizado e aberto de fase II foram cadastrados 597 voluntários vacinados entre 30 de março e 6 de maio de 2022, escolhidos aleatoriamente, com idade média de 53 anos, sendo que 20% já haviam contraído o coronavírus. Os participantes foram randomizadas para um dos seis braços de vacina de mRNA da Moderna (dose de 50µg): Protótipo (mRNA-1273), Ômicron BA.1+Beta (1 ou 2 doses), Ômicron BA.1+Delta, Ômicron BA.1 monovalente e Ômicron BA.1+Prototype. Os títulos de anticorpos de neutralização (ID50) foram avaliados para as variantes D614G, Delta, Beta e Ômicron BA.1 15 dias após a vacinação. Além disso, no 15º dia, um subconjunto de amostras de indivíduos não infectados pelo coronavírus em quatro braços foi examinado em um laboratório separado para neutralizar os títulos de anticorpos para subvariantes D614G e Ômicron BA.2.12.2, BA.1 e BA.4/BA.5.

Os resultados do estudo mostraram que em relação à vacina do protótipo SARS-CoV-2, as vacinas contendo Ômicron exibiram títulos mais altos de Ômicron BA.1. Além disso, mostrou que para todas as opções de vacina, os títulos contra a Ômicron BA.4/BA.5 foram menores do que em relação ao BA.1. Para a realização deste estudo, nesta fase inicial, foram utilizadas apenas as vacinas da Moderna. Estágios posteriores estão avaliando os candidatos a vacina com adjuvante de proteína Pfizer/BioNTech e GSK/Sanofi.

Atualização das vacinas

Desde o início da pandemia de Covid-19, em 2019, na China, as vacinas salvaram muitas vidas ao proteger as pessoas contra infecções sintomáticas e complicações graves. No entanto, a eficácia dos imunizantes reduziu muito com o surgimento das variantes do SARS-CoV-2 (VOCs) em todo o mundo, entre as várias consideradas preocupantes identificadas estão Beta (B.1.351), Delta (B.1.617.2), Ômicron BA.1 (B.1.1.529), Ômicron BA.4/BA.5 e BA.2.12.1, todas caracterizadas por mutações no domínio de ligação ao receptor da proteína spike (S). Essas variantes aumentam as chances de infecções descobertas, contudo, a ciência ainda não consegue afirmar com convicção se precisaremos de vacinas contra as variantes toda vez que uma nova surgir e, até o momento, os cientistas ainda não são capazes de antecipar a evolução do coronavirus.

Recentemente, o Food and Drug Administration (FDA) recomendou que os fabricantes incluam a Ômicron BA.4/BA.5 juntamente com o protótipo nas formulações de vacina contra SARS-CoV-2 a partir do outono de 2022 (Hemisfério Norte). A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a subvariante BA.5 da Ômicron deve se tornar a versão predominante do vírus nas Américas dentro das próximas semanas. A cepa já foi detectada em 22 países da região e se espalhou também pela Europa e pela Ásia. A BA.5 é considerada uma subvariante mais contagiosa e resistente à vacina e causa preocupação, já que apesar da taxa de imunização no mundo ter avançado lentamente, os números de casos e mortes voltaram a subir.

“Nossos dados são consistentes com a recomendação do FDA com uma vacina com um componente protótipo para ampliar os cenários antigênicos próximos do D614G em caso do surgimento de novas variantes de atenção naquela parte do mapa antigênico, e um componente Ômicron para ampliar o cenário antigênico próximo da Ômicron BA.1 e BA.4/BA.5. Desta forma, reconhece-se que todas as estratégias testadas e reportadas aqui oferecem uma cobertura sub-ótima no espaço antigênico perto da Ômicron BA.4/BA.5 mas continuam a aumentar a distância antigênica do D614G, otimizando o cenário antigênico próximo a BA.4/BA.5 que será primordial para a eficácia da vacina contra Covid-19”, afirma o artigo.