Sanitário portátil pode auxiliar nos problemas de saneamento de países tropicais

Publicação: 5 de junho de 2015

Serviço reduziu a quantidade de fezes não tratadas no grupo de serviço em uma razão de 3,5, e praticamente eliminou relatos de pessoas defecando em áreas abertas

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Um dos autores da iniciativa, o pós-doutorando em Engenharia Civil e Ambiental, Sebastien Tilmans, explica a proposta e revela os próximos passos do trabalho

A falta de saneamento básico é uma das principais causas de disseminação de doenças nos países tropicais. Para tentar resolver uma parte desse problema, estudantes da Universidade de Stanford desenvolveram vasos sanitários portáteis secos, construídos em torno de contêineres que podem ser fechados e recolhidos.

A solução vem sendo implementada na favela Shada, no Haiti, junto com uma Organização Não Governamental local, a SOIL. Em entrevista à Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), um dos autores da iniciativa, o pós-doutorando em Engenharia Civil e Ambiental Sebastien Tilmans, explica a proposta e revela os próximos passos do trabalho.

Leia, abaixo, a entrevista na íntegra:

SBMT: Como surgiu a ideia?

Nós estamos buscando a solução para os desafios de áreas densamente urbanizadas. Espaços apertados sem estradas impossibilitam a entrada de caminhões para a limpeza das latrinas, de modo que estas devem ser esvaziadas manualmente. Esse processo é altamente anti-higiênico e expõe os trabalhadores e residentes aos resíduos. Além disso, latrinas são caras e pessoas que moram em imóveis alugados não querem ter esse gasto em terrenos que não são seus. O vaso sanitário que desenhamos é construído em torno de contêineres que podem ser fechados. O sistema, que desenvolvemos em parceria com nosso parceiro SOIL, no Haiti, veda e coleta os contêineres sem qualquer contato com os resíduos. Os vasos também são portáteis, então pessoas podem levá-lo consigo em caso de mudança de residência. Esses benefícios diminuem os obstáculos para se ter serviços de saneamento de alta qualidade.

SBMT: Quais são os principais resultados atingidos com o uso desses vasos?

Em nosso estudo descobrimos que esse sistema é altamente eficiente na captura e manuseio de dejetos em uma área onde sistemas de saneamento ou latrinas são inviáveis. Esse serviço reduziu a quantidade de fezes não tratadas no grupo de serviço em uma razão de 3,5, e praticamente eliminou relatos de pessoas defecando em áreas abertas.

SBMT: Esses dispositivos já podem ser produzidos em larga escala? Existe alguma proposta de uso para isso?

Nosso parceiro no Haiti, a SOIL, vem trabalhando com a construção civil local para melhorar o desenho do vaso e produzi-lo localmente. Nós possuímos designs para produção em larga escala, mas no momento é mais importante expandir o serviço e demonstrar sua viabilidade.

SBMT: Quais são os próximos passos para esse trabalho?

O próximo passo é expandir o serviço e outros similares. O objetivo é demonstrar a viabilidade da ideia em escalas maiores de modo a atingir economia de escala e maior eficiência. Esses são os desafios que devemos enfrentar para fornecer serviços de saneamento de alta qualidade para cerca de 750 milhões de pessoas que vivem em áreas urbanas sem isso.…