Protagonismo brasileiro é destaque na cerimônia de abertura do 52º MedTrop

Publicação: 22 de agosto de 2016

Um país desenvolvido se faz com ciência, tecnologia e saúde

A abertura do 52º Congresso anual da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), realizada ao mesmo tempo do encerramento das Olimpíadas do Rio de Janeiro, mostrou que também fazemos bonito e somos dignos de números recordes. As Olimpíadas contaram com 11.554 atletas, enquanto o MedTrop registrou 2.444 trabalhos inscritos. Aqui os atletas do saber estão sendo prestigiados por palestrantes, professores e pesquisadores que visitam seus pôsteres discutindo com cada autor o resultado de seus trabalhos.

O presidente do Congresso, Dr. Fernando Pedrosa, iniciou seu discurso enfatizando que na vida enfrentamos desafios, organizar o MedTrop 2016 foi o seu maior. “Teve um momento que as condições estavam tão difíceis que chegamos a pensar em desistir. Nos primeiros momentos percebemos que não conseguiríamos realizar o evento nos moldes tradicionais, foi quando o presidente da SBMT lançou o desafio de propor que os palestrantes se auto-financiassem de forma que a programação científica fosse construída e assim o foi”, lembrou.

Alagoas ao sediar o 52º MedTrop, mostra o sentimento republicano dessa sociedade, que oportuniza a presença dos maiores especialistas da Medicina Tropical no estado que apresenta um dos menores índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, em parte por causa dessas mesmas doenças que ainda atrasam a plena independência financeira e social de estados menos favorecidos, mas que contribuem com igual carga tributária.

Em meio à situação complexa que o País vive, os desafios da saúde pública, o seu protagonismo e a importância da ciência, tecnologia e saúde para o desenvolvimento de um país, foram destacados nos discursos do Dr. Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, Presidente da Federação Internacional de Medicina Tropical (IFTM), e do Dr Rodrigo Stabeli, vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz. Doenças que já poderiam ter sido eliminadas continuam causando mazelas e precisam ser encaradas com muita determinação. A necessidade de o Brasil investir em insumos e na produção de medicamentos também foi assinalada nas falas do Dr. Afranio Kritski, Presidente da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (Rde TB) e do Dr. Alberto Novaes, coordenador do Chagas Leish.

Já o presidente da SBMT, Dr. Marcus Lacerda, reconheceu que o aparecimento do vírus Zika e sua principal complicação, a microcefalia, revelaram ao mundo as nossas mazelas mais profundas, nossa falta generalizada de estrutura urbana, nossa incapacidade de lidar com o Aedes Aegypti. “Mas a epidemia de Zika mostrou que o Brasil tem uma comunidade científica que não precisa mais da ajuda internacional para estabelecer causalidades, fazer parcerias e dar respostas à saúde pública. Aos que desacreditaram dos nossos clínicos, de nossos laboratórios de saúde pública, de nossas instituições, queremos que saibam que os 200 milhões de pessoas não estão adormecidos e não aceitamos mais não fazer parte dos principais debates”, argumentou.

Destaques brasileiros

As pautas positivas, que nem sempre ganham destaque na imprensa, também foram lembradas durante a abertura do 52º MedTrop, uma delas é a aprovação do Marco Civil da Ciência e Tecnologia. Além disso, outras coisas boas estão acontecendo no Brasil, a exemplo da vacina para dengue aprovada no País, que está em fase final de teste clínico, com investimento e produção 100% nacional; a vacina para esquistossomose, em fase de testes clínicos; o Plano Nacional de eliminação da Malária em curso, tendo como meta inicial a eliminação do Plasmodiu falciparum, forma mais letal da doença; a realização da primeira prova de especialista na área de atuação de Medicina Tropical.

Medalha do Mérito Científico Carlos Chagas: dois grandes cientistas foram agraciados

img-4

Dando sequência à programação de abertura do 52º MedTrop, a SBMT, aqui na terra de Zumbi dos Palmares, símbolo eterno da luta pela liberdade e contra toda a opressão ao gênero humano, homenageou aqueles que se destacaram por oferecer a sua vida, a sua sabedoria, o seu conhecimento, a sua ciência, em defesa dos mais oprimidos que, como Zumbi dos Palmares, habitam nos Trópicos, no momento em que a democracia – um dos mais caros mitos humanos e o mais elevado avanço de contrato social – no Brasil sobre o cadafalso para ser apunhalada, como Júlio César, pelos senadores.

Para homenageá-los, foi idealizada a continuação do Prêmio Pesquisador Sênior com a criação de uma belíssima medalha que leva o nome de um dos maiores cientistas-médicos brasileiro, Carlos Chagas. Para escolher aqueles que deram exemplo de sua vida corajosa foi formada uma comissão composta pelo atual vice-presidente da SBMT, Dr. Sinval Brandão, e mais três ex-presidentes: Dr. Mitermayer Galvão dos Reis, Dra.Maria Aparecida Shikanai-Yasuda e Dr. Carlos Henrique Costa. “Baseado em um relatório de indicação decidimos escolher, dois nomes magníficos e exemplos às gerações seguintes”, explicou Dr. Carlos ao completar que as indicações foram realizadas pelos Dr. Aluízio Segurado e Dr. Dalmo Correia.

Em um dos momentos mais emocionantes da noite, Dr. Carlos Henrique convidou a receberem a Medalha do Mérito Científico Carlos Chagas os dois grandes cientistas, os professores Eméritos João Carlos Pinto Dias e Vicente Amato Neto. A indicação do professor João Carlos Pinto Dias levou em consideração também a sua contribuição científica para o conhecimento da história natural da Doença de Chagas, além de ter apresentado contribuição expressiva no controle da Doença de Chagas. O nome do Professor Vicente Amato Neto foi indicado por prestar grandes contribuições à Medicina Tropical e pelos seus 68 anos em pesquisa, ensino e extensão em Medicina Tropical, com 348 artigos e 22 letter.

Prêmio Jovem Pesquisador 2016

img-2

Em sua terceira edição, o Prêmio trouxe novidades este ano. Os trabalhos, que antes concorriam todos juntos, foram divididos em quatro categorias: graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Ao todo, foram 12 premiações, sendo três em cada categoria. Durante a cerimônia de abertura, os vencedores receberam R$ 1 mil e os segundos e terceiros colocados foram agraciados com menções honrosas. Os vencedores da edição Jovem Pesquisador 2016 por categoria foram:

Categoria Graduado – Ana Carolina Rios Silvino com o trabalho “Influência da variabilidade genética em enzimas do complexo citocromo P450 no tratamento da malária por Plasmodium vivax”.

Categoria Mestrado – Diana Souza de Oliveira, com o trabalho “Validação externa de um kit protótipo do teste de aglutinação direta (DAT-LPC) para diagnóstico da leishmaniose visceral”

Categoria Doutorado – Carolina Lessa Aquino, com o trabalho “Antibody profiling in patients with mild and severe leptospirosis: a genome-wide protein microarray approach”.

Categoria Pós-Doutorado – Lourena Emanuele Costa, com o trabalho “New serological tools for improved diagnosis of human tegumentary leishmaniasis”.

Prêmio Jornalista Tropical 2016

img-3

Também recebeu seu Prêmio a repórter Susana Santana, vencedora na categoria TV, com a Série “Zika, onde tudo começou”, veiculada na TV Bahia, entre os dias 25 a 30 de abril de 2016, e as repórteres Mônica Tarantino e Monique Oliveira, vencedoras na categoria Impresso, com a matéria “Herdeiros do Zika – Ameaça Microscópica, publicada na Revista Brasileiros, em março deste ano.

A terceira edição do Prêmio recebeu um total de 253 reportagens, sendo 94 na categoria TV e 159 na categoria Impresso. A segunda edição contabilizou 112 reportagens, sendo 60 na categoria TV e 52 na categoria Impresso, enquanto a primeira contou com 48 reportagens, sendo 20 de TV e 28 de Impresso.

 …