Workshop contribui para fortalecimento das Redes de Atenção a Doenças Negligenciadas

Publicação: 9 de dezembro de 2019

Linhas de cuidado se referem à organização do serviço de atendimento à população, definindo o fluxo a partir do menor município até o serviço de alta complexidade, garantindo assim um trabalho eficaz e de qualidade

Workshop teve como objetivo reconstruir linhas de cuidados para Tuberculose, Hanseníase, doença de Chagas, Leishmanioses Visceral e Tegumentar Americana dentro do estado. As linhas de cuidado devem trazer melhorias nas redes de atenção à saúde no Piauí

Apresentar às instituições de ensino, aos pesquisadores, aos serviços de saúde as propostas de construção/aprimoramento de linhas de cuidados de pessoas acometidas por doenças negligenciadas, bem como o relatório resumido dos pontos críticos para sua operacionalização no estado do Piauí. Este foi o objetivo do Workshop sobre linhas de cuidados para doenças negligenciadas, realizado entre os dias 30 e 31 de outubro, em Teresina (PI).

Na abertura do seminário o técnico Inácio Pereira Lima, coordenador do evento, destacou a importância da discussão sobre os critérios para definição do público-alvo, a expectativa das áreas técnicas envolvidas e da inserção do estado no “Projeto Piauí: Pilares de Crescimento e Inclusão Social”. Reafirmou ainda as bases do convênio firmado com o Banco Mundial para o fortalecimento das ações de controle das doenças negligenciadas e seus agravos. Ele também ressaltou o ganho expressivo de trabalhar com o apoio das instituições parceiras da saúde no Piauí, incluindo o Centro de Inteligência em Agravos Tropicais, Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

Durante dois dias, o evento, que reuniu pesquisadores de todo o País, buscou avançar na formatação conclusiva das linhas de cuidados para Tuberculose, Hanseníase, doença de Chagas, Leishmanioses Visceral e Tegumentar Americana dentro do estado. As linhas de cuidado se referem à forma de articulação de recursos e das práticas de produção de saúde, orientadas por diretrizes clínicas, entre as unidades de atenção de uma dada região de saúde, para a condução oportuna, ágil e singular, dos usuários pelas possibilidades de diagnóstico e terapia, em resposta às necessidades epidemiológicas de maior relevância.

Cinco momentos que nortearam o Workshop foram estruturados. O primeiro foi a mesa de abertura composta por representantes institucionais; o segundo foi uma breve contextualização do Plano INTEGRAR; o terceiro momento foi uma mesa temática de apresentação das cinco propostas e linhas de cuidado que foi seguida de debates; já o quarto foi destinado para trabalho de grupo, e o quinto e último momento foi para apresentação de cada grupo e construção de agenda de consensos.

Na breve contextualização, Herlon Guimarães, Superintendente de Atenção Integral à Saúde/Sesapi e Coordenador do Núcleo Estadual de Enfrentamento das Doenças Negligenciadas do Piauí, frisou que o Workshop trará ganhos para o estado que ajudarão a enfrentar os indicadores desfavoráveis das doenças negligenciadas no Piauí. “Com as linhas de cuidados geradas no evento temos a expectativa do aumento de diagnósticos, melhora no atendimento à população, melhoria no acompanhamento do paciente durante seu tratamento e um retorno mais seguro para a sua família. São propostas que devem trazer melhorias à saúde pública do estado”, concluiu.

Durante o debate, o Presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), Claudio Salgado, lembrou a importância que as doenças negligenciadas devem receber. “Muitas pessoas que sofrem com essas doenças não têm acesso ao sistema de saúde ou muitas vezes só podem realizar um primeiro atendimento, com um serviço muito básico que por vezes não consegue realizar um diagnóstico preciso da pessoa. Com a linha de cuidado teremos uma organização desse fluxo, além de levar conhecimento aos trabalhadores da atenção básica e saúde da família que permitam ter um melhor atendimento e acompanhamento da população”, pontuou. Lucimar Batista, representando o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), lembrou a trajetória do movimento que representa e as dificuldades de implementar ações integrativas para implementar as linhas de cuidados.

Coordenador da Área de Controle de Infecção da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose REDE-TB, Fernando Sanches, enfatizou que o workshop demonstrou a real preocupação em delinear um plano estruturado, organizado, pragmático e plural com o desejo profícuo de mudança de cenário frente às ocorrências de casos das doenças consideradas negligenciadas. “Em vozes uníssonas, para o combate às doenças negligenciadas, não só no Piauí, mas também em todo o Brasil, entendemos que o esforço deste Governo se faz mais do que necessário divulgar para que, em exemplo, possamos ter um chamariz contínuo para que os outros estados brasileiros sintam-se contagiados por essa iniciativa”, disse. Neste sentido, segundo ele, a REDE-TB, dentro de sua interface na temática Tuberculose, celebrou com alegria a participação nesse importante espaço para contribuir no processo de construção das linhas de cuidados para a Tuberculose no estado do Piauí. “Foram dois dias de aprendizado mútuo, trocas de experiências, estratégias de intervenções, assim como interlocução dos serviços – governo – pesquisa – fortalecendo a engrenagem dos Pilares 2 e 3”, acrescentou. O produto foi apresentado em plenário para os outros grupos pertencentes às linhas de cuidados das doenças negligenciadas.

Contando com a participação de representantes do grupo técnico em doença de Chagas da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a equipe que trabalhou a linha de cuidado em doença de Chagas reviu aspectos importantes para o contexto do estado do Piauí. O professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará, Alberto Novaes, ressaltou a importância de o grupo ter contado com a participação, além do coordenador estadual do programa de controle, de profissionais médicos de referências estaduais (Goiás e Piauí) e nacional (Instituto Nacional de Infectologia – INI/Fiocruz), assim como da coordenação da Fiocruz do Piauí. “A doença de Chagas como uma doença criticamente negligenciada demandava este movimento de retomada do Plano INTEGRAR no estado do Piauí”, realçou ao reconhecer que esta iniciativa abre um espaço importante para ampliação do diagnóstico e tratamento das pessoas acometidas pela doença, tomando como base os referenciais do II Consenso Brasileiro em Doença de Chagas e do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença. Ainda segundo ele, um diferencial foi a possibilidade de contar com as perspectivas trazidas pela representação do movimento social em doença de Chagas integrante da FindeChagas.

Os trabalhos de grupos resultaram em importantes contribuições para o aprimoramento de cada proposta de linha de cuidado em discussão, as quais foram consolidadas e integradas para que após este procedimento sejam consideradas validadas e homologadas para fins de aplicação na rede de serviços de saúde do estado.

O evento contou ainda com a participação de gestores e técnicos da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), representantes de instituições locais de ensino, da pesquisa e do serviço em saúde, representantes das áreas técnicas das vigilâncias em saúde do Ministério da Saúde, pesquisadores vinculados a Programas de Pós-graduação em saúde do Piauí, representantes do controle social e profissionais de referências nacionais e estaduais em cada uma das doenças em discussão.

As próximas etapas incluem a diagramação do produto final contendo as cinco linhas em formato livreto, e reprodução de duas mil cópias para divulgação e distribuição junto aos municípios do Piauí em parceria com a biblioteca da Universidade Federal do Piauí e do Banco Mundial; a realização de seminário de apresentação do livreto contendo as cinco linhas de cuidado referenciadas aos gestores municipais de saúde, previsto para março de 2020; e a capacitação de gestores e técnicos municipais de saúde dos 224 municípios do estado nos novos formatos de promoção à saúde e cuidado às pessoas acometidas e suas famílias que porventura venham adoecer por essas doenças. Este evento está previsto para acontecer em cinco turmas, agregando os municípios por macrorregiões de saúde, de abril a junho de 2020.