Pesquisadora defende profilaxia para controle do HIV no Brasil até 2030

Publicação: 15 de setembro de 2015

Prevenção combinada deve ser discutida com os pacientes, defende doutora Valdiléa Gonçalves Veloso

Às vezes, ao buscar o medicamento já passou o tempo de eficácia para prevenir que ele possui. Casos poderiam ser evitados

A chance de transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da Aids, reduz 96%, quando realizado o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP), em populações com alto risco de infecção pelo vírus. Para a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Valdiléa Gonçalves Veloso, juntando o tratamento precoce e a profilaxia, é possível controlar a epidemia do vírus até o ano de 2030, como pretende a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“A meta é ousada, mas podemos atingi-la. O Brasil é um País que tem condição de alcançar esse objetivo, principalmente por termos um sistema público de saúde que fornece os medicamentos”, explicou a pesquisadora, que é doutora em Saúde Pública.

A PrEP consiste no uso diário de um remédio chamado Truvada, que previne a infecção pelo vírus, especialmente entre os que têm dificuldade em usar camisinha, seja pela perda de sensibilidade, prazer ou até mesmo por alergia. O medicamento vem sendo testado no Brasil .

Já a PEP consiste no consumo de remédios antirretrovirais até 72 horas após a relação sexual, quando ocorrer falha ou o não uso da camisinha. Para a médica, é preciso que haja mais orientação em relação a este método para evitar novas infecções. “Geralmente, quando a pessoa busca este tratamento, já passou o período que o medicamento tem eficácia para prevenir. Às vezes vemos pessoas infectadas, mas que poderiam ter evitado”, advertiu.

A doutora Valdiléa é favorável à discussão de estratégias e riscos com os pacientes, para que os métodos tenham mais autonomia. Esse debate, segundo ela, deve discutir o uso de camisinha e de medicamentos, tratando ainda as questões como a escolha dos parceiros sexuais.

Os infectados, da mesma forma, também devem conhecer os métodos de profilaxia, para que possam orientar os parceiros sobre como se prevenir. “Quem está infectado não vai usar os métodos profilaxia pré ou pós, mas poderá mostrar ao parceiro como lidar com a situação”, explicou.

“Isso é o que a gente entende como prevenção combinada e que começa junto com a testagem. A pessoa será testada e, caso o resultado seja positivo [para HIV], receberá orientação sobre a importância de começar logo o tratamento, o que vai ser bom para a própria saúde e para evitar a transmissão aos parceiros. Se der negativo, é preciso avaliar o risco e discutir as melhores estratégias de prevenção”, ressaltou.