Proibição do uso do jaleco fora de hospital em São Paulo divide opiniões

Publicação: 5 de agosto de 2011

A ideia é evitar riscos de contaminação por bactérias levadas de um local a outro. A lei ainda não mudou o hábito nem de quem concorda com ela.
Em São Paulo, médicos, enfermeiros, profissionais de saúde em geral estão proibidos de usar jaleco fora do hospital. É o que determina uma nova lei estadual.
Uma nova lei em São Paulo tem dividido opiniões entre profissionais da área de saúde. Ela proíbe que jalecos e aventais sejam usados fora do ambiente de trabalho. Ou seja, médicos e enfermeiros, por exemplo, agora só podem usar esse tipo de roupa dentro de hospitais ou consultórios. A ideia é evitar riscos de contaminação por bactérias levadas de um local a outro.
É fácil perceber que existe um hospital por perto. De repente, quase todo mundo à sua volta está vestido de branco. Os jalecos saem dos hospitais e vão para o carro, para a padaria, para casa. No dia seguinte, voltam pelo mesmo caminho.
Agora, ninguém mais pode andar pela rua vestido assim em São Paulo. Uma lei que acaba de entrar em vigor proíbe os profissionais de saúde de vestir aventais e jalecos fora das clínicas e dos hospitais.
A preocupação é com as infecções. Evitar que vírus e bactérias sejam carregados para dentro das unidades médicas ou pior, que microorganismos resistentes a tratamentos com antibióticos saiam dos hospitais e contaminem a sociedade. Por enquanto, a lei não mudou o hábito nem de quem concorda com ela.

“Eu acho certo, apesar de não estar cumprindo, porque você pode estar trazendo para o hospital, as impurezas, bactérias. Mesmo assim, eu estou com o jaleco. Eu moro do lado e vim correndo”, conta técnica em raio-x Rosana da Silva.
Outros profissionais questionam a medida. “Eu acho que é uma coisa que não tem sentido. Porque nós usamos sapatos, usamos outras coisas que não seja o jaleco branco. Não é o jaleco branco que vai fazer que haja contaminação hospitalar”, defende o médico Theofanis Konstadinidis.

O médico, enfermeiro ou técnico que desrespeitar a lei pode ser multado em R$ 174,50. Se fizer de novo, a multa dobra de valor. A coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Sírio Libanês diz que a lei é ineficaz.

“Se você for única e exclusivamente pelo isolamento de bactérias, você vai ver que no estetoscópio, no celular você também encontra esse tipo de agente, provavelmente se você cultivar as canetas também vai encontrar esse tipo de agente, ou seja, tudo aquilo que a mão toca pode veicular bactérias hospitalares e não hospitalares”, afirma a infectologista Maria Beatriz Souza Dias.

No lugar de uma lei, ela prefere ver uma grande campanha para conscientizar a população, inclusive os médicos, da importância de lavar as mãos. “É parte da cultura e as pessoas sabem que elas devem higienizar as mãos, mas elas higienizam de uma forma geral, menos do que deveriam”, afirma.

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo diz que a lei apenas reforça uma exigência do Ministério da Saúde, que existe desde 2005.

“É uma norma federal que já trata de vestimentas, então tudo aquilo que você utiliza dentro do hospital deve ficar dentro do hospital. Infelizmente, essa norma não é respeitada”, afirma a conselheira do Coren-SP Maria Angélica Guglielmi.

Ainda não ficou definido quem vai fiscalizar e cobrar a multa.

FONTE: globo.com