Cura da AIDS ainda exige muita pesquisa, diz especialista

Publicação: 13 de agosto de 2012

Pesquisadores Aids

Comunidade científica, sociedade, organizações governamentais e não-governamentais de países emergentes como o Brasil têm um grande papel a desempenhar na mobilização internacional pela cura e pela erradicação do HIV/AIDS

Dra. Cristina comenta que a International AIDS Society acaba de lançar, na Conferência de AIDS 2012, sob a coordenação da prêmio Nobel Dra. Françoise Barre-Sinoussi, do Instituto Pasteur, na Franca, e do Dr. Steve Deeks da Universidade da Califórnia em San Francisco, nos EUA, a “Iniciativa para a Cura do HIV”. A especialista, que também estava presente na Conferência em Washington D.C, destaca que o financiamento para pesquisa nesta área, ainda é muito limitado. “No plano internacional, permanece como o principal problema. Baseados na avaliação dos recentes avanços científicos, alguns pesquisadores chegam mesmo a estimar que estaríamos a cerca de U$ 200 milhões da cura da AIDS”, salienta. A quantia parece significativa. Mas segundo a especialista, não, se considerarmos o gasto apenas dos EUA na prevenção e tratamento da AIDS no mundo, em 2011, que foi de aproximadamente U$ 20 bilhões.

A especialista lembra o caso recente, relatado na mídia, de uma nova esperança de cura para AIDS via transplante de medula. O caso ganhou destaque quando o americano Timothy Brown, que era portador do HIV e sofria de leucemia recebeu, em 2007, transplante de medula óssea para tratara sua doença. O paciente, que teve o seu próprio sistema imunológico substituído por outro, resistente à infecção pelo HIV, ficou aparentemente, desde então, livre do vírus e conseguiu interromper seu tratamento antirretroviral.

Entretanto, Dra. Cristina chama a atenção para o fato de que embora esta descoberta tenha sido bastante inovadora do ponto de vista cientifico, permitindo avanços importantes neste campo, na verdade os  transplantes de medula óssea são uma opção terapêutica ainda arriscada e cara. “Além disto, é difícil encontrar um doador imunologicamente compatível e com as características de resistência natural à infecção. Deste ponto de vista, não pode ser considerada uma alternativa viável”, aponta.

Mas alternativas com relação a cura e controle do HIV começam a despontar como uma realidade. “Há estudos que confirmam que o Truvada, já utilizado no tratamento do HIV/AIDS no país, atua também como uma eficaz ferramenta para a prevenção da transmissão do HIV”, ressalta ao realçar a recente descoberta. Entretanto, a especialista observa que, apesar da relevância do medicamento, a droga é apenas uma ferramenta adicional às estratégias atualmente existentes de prevenção e não deve substituir a camisinha. “É indicada apenas para a prevenção do HIV em grupos populacionais de alto risco, como homens que fazem sexo com homens, e casais sorodiscordantes, em que um dos parceiros é positivo”, esclarece.

Para Dra. Cristina esta foi, sem dúvida, uma importante descoberta do ponto de vista científico: “a constatação de que um medicamento ARV como o Truvada, pode atuar não apenas no tratamento, mas também na prevenção”. A especialista lembra que embora tenha sido aprovado pelas agências reguladoras, como o FDA e a ANVISA, o Truvada deve ser utilizado com o necessário cuidado e adequado acompanhamento médico. “Ainda se desconhece os seus efeitos colaterais ao longo prazo”, analisa.

Entretanto, limitações nas atuais estratégias terapêuticas têm levado cientistas a buscar novas estratégias e a investir na pesquisa de cura do HIV. “Não podemos dizer que estamos próximos da cura do HIV/AIDS, não seria sensato criar no momento falsas expectativas”, fala Dra. Cristina ao destacar que a comunidade científica, a sociedade e as organizações governamentais e não-governamentais de países emergentes como o Brasil têm, na verdade, um grande papel a desempenhar na mobilização internacional pela cura e pela erradicação do HIV/AIDS.…