Diretor da FCS/UFGD, professor Julio Croda

Publicação: 14 de March de 2012

Dia 24 de março é celebrado o Dia Mundial da Tuberculose. Lançado em 1982 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra TB e Doenças Pulmonares (International Union Agaist TB and Lung Disease – IUATLD), a data foi uma homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, por Dr. Robert Koch. Este foi um grande passo na luta pelo controle e eliminação da doença que, na época, vitimou grande parcela da população mundial.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose não é uma data para comemoração. É sim uma ocasião de mobilização mundial, nacional, estadual e local buscando envolver todos as esferas de governo e setores da sociedade na luta conta esta enfermidade. É o marco fundamental de uma campanha que dura até o fim do ano corrente, fator fundamental para a intensificação das ações de controle da doença.

Para o professor Julio Croda, diretor da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Grande Dourados (FCS/UFGD), a tuberculose já foi considerada doença controlada após a descoberta dos quimioterápicos capazes de tratá-la, porém re-emergiu com a epidemia de HIV e o surgimento das multi-resistentes e hoje é grave problema de saúde pública em todo o mundo. “Ter um dia como marco da luta contra doença não só destaca a magnitude da infecção e os feitos para combatê-la, mas principalmente o quanto ainda falta para consideramos a tuberculose uma doença do passado. É um dia onde os meios de comunicação voltam-se para informar sobre a doença e os vários serviços especializados montam uma programação voltada a informar o público sobre sintomas e sinais relacionados à infecção. Isso, no âmbito das doenças transmissíveis, sobretudo por via respiratória, pode acelerar o diagnóstico e rápido tratamento diminuindo assim a transmissão”, comenta.

Ele explica ainda que com o surgimento das cepas resistentes e o aumento da incidência da doença em vários países do mundo, as pesquisas voltaram-se para o diagnóstico precoce e resultados da suscetibilidade da micobactéria aos antibacterianos mais acelerado. “Os estudos envolvendo análise genética do DNA da micobactéria por técnica de PCR em tempo real em plataforma automatizada, denominado GeneXpert, são promissores na rápida detecção da infecção e ainda podem identificar mutações relacionadas a resistência farmacológica. São chamados testes rápido da doença e podem acelerar o diagnóstico, que pode variar de 2 a 60 dias, para 90 minutos”, continua.

No Brasil, a Portaria GM/MS Nº 2181, de 21 de novembro de 2001 transformou esta data no início da Semana Nacional de Mobilização e Combate à Tuberculose que vai até o dia 28 de Março. “O Brasil é hoje considerado modelo no controle da doença sobre alguns aspectos. Nos últimos anos houve queda da incidência e mortalidade da doença, bem como maiores investimentos nos programas de controle da Tuberculose. Com a proposta de descentralização do tratamento com envolvimento das unidades de saúde de cada local, houve melhoria na adesão com o aumento do tratamento supervisionado. Isso se reflete na queda de posição do Brasil no ranking mundial dos países que mais notificam TB no mundo”, afirma.

“Além disso, houve alteração no esquema de tratamento passando este ser composto por quatro drogas, com menor falha terapêutica além de facilitar o tratamento com o advento do comprimido 4 em 1 que diminui o número de comprimidos diários. Através de estudos epidemiológicos, sabemos que hoje no Brasil existem as populações mais vulneráveis a tuberculose com risco maior de infectar-se e desenvolver a doença, como presidiários, usuários de droga, portadores do vírus do HIV, indígenas e moradores de rua. As ações de controle devem priorizar essas populações no intuito de diminuir mais a incidência e emergência de cepas multiresistentes no país”, finaliza o professor.