Gabriel Jaramillo vai gerir Fundo Global da AIDS

Publicação: 15 de fevereiro de 2012

A maior instituição de financiamento do combate à AIDS convocou um banqueiro colombiano-brasileiro para resgatar sua credibilidade e gerenciar bilhões de dólares. O Fundo Global contra AIDS, Malária e Tuberculose anunciou Gabriel Jaramillo como gerente-geral da entidade, que tem mais de US$ 10 bilhões até 2013 para programas de saúde.

“O fundo é a entidade mais eficiente do mundo na implementação de doações. Mas sei que hoje ele não está em boa posição. Temos de admitir que o mundo está mudando e será cada vez mais exigente com o destino das doações. Os recursos são escassos e serão cada vez mais escassos”, afirmou Jaramillo em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

O novo gerente, nascido em Bogotá e com cidadania brasileira, atuou como banqueiro nos últimos 30 anos. Foi CEO do Citibank no México e presidente do Santander e do Citibank na Colômbia nos anos 1990. No Brasil, destacou-se no setor financeiro. Em 1999, coordenou a ofensiva do Santander para vencer o leilão do Banespa, pelo qual o grupo espanhol pagou US$ 7 bilhões. O ágio foi de 280% no preço inicial, mas o processo político, que gerou críticas até do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi marcado por polêmicas.

Por uma década, Jaramillo presidiu o Santander Banespa no Brasil e ainda liderou a expansão do grupo espanhol no país e na América Latina. Hoje, mais da metade da renda do banco vem de suas operações na região. Deixou o banco entre as 10 maiores instituições financeiras do mundo.

Quanto aos seus planos no Fundo Global, Jaramillo espera ter os melhores administradores de recursos e com isso convencer a comunidade internacional a continuar a doando. “Temos de ser os melhores. Quando o dinheiro é escasso, o investidor vai buscar o melhor lugar para colocá-lo. Por isso, temos de nos organizar. A segunda parte do plano é tomar decisões estratégicas para que o retorno desse investimento seja o mais alto possível. Temos de decidir onde colocar esse dinheiro e em quais situações. A terceira parte é a organização de uma conferência internacional, no final de 2012, para apelar ao mundo por sua generosidade na luta contra a AIDS, a malária e a tuberculose”, continua na entrevista ao jornal.

Por fim, no que diz respeito ao Brasil, o novo gerente acredita que o país pode passar de receptor de ajuda internacional para doador. “O Brasil assumiu a liderança ao enviar uma carta ao fundo (no final de 2011) agradecendo pelos recursos recebidos nos últimos anos e abrindo mão do dinheiro a que tinha direito para o combate à malária. Argumentou que tinha a condição de assumir sozinho o programa. O país se colocou no papel de nova força e motor da economia global. O Brasil será convidado para a conferência de doadores no fim do ano, na esperança de que passe de receptor de recursos para doador”, completa.

Com informações O Estado de S. Paulo