Worldleish 5: participantes de 44 países lotam auditório na abertura do maior evento de Leishmanioses do mundo

Publicação: 13 de maio de 2013

De um lado um paraíso de beleza tropical e de outro, o município de Ipojuca, onde se encontra a famosa praia de Porto de Galinhas, em Pernambuco, registrou 44 casos de Leishmaniose. Foi neste cenário que cerca de mil e quinhentas pessoas estiveram presentes na abertura do Worldleish 5 – 5º Congresso Mundial de Leishmaniose – que ocorreu na manhã desta segunda-feira, dia 13 de maio, no Centro de Convenções do Enotel. O evento vai reunir, durante cinco dias, entomologistas, epidemiologistas, imunologistas, biólogos, médicos e patologistas de 44 países, além de interessados no tema: Leishmania.

Abertura World Leish 5

O presidente da Comissão Organizadora, Dr. Sinval Pinto Brandão Filho, explicou que, apesar do trabalho duro nos dois anos de preparação do congresso, o desafio foi especialmente satisfatório e o trabalho árduo e a dedicação valeram à pena. “Isso ficou refletido no apoio que nos deram ao virem para o evento em tão grande número A 5º edição do Worldleish bateu todos os recordes anteriores. Foram recebidos 1.426 trabalhos de mais de 1.200 participantes, o que superou de longe o número esperado”, frisou.

Em seu discurso de abertura, Dr. Sinval ressaltou que as Leishmanioses, são uma zoonose com reservatório animal, o que exclui a possibilidade de sua eliminação. “Por isso, é essencial definir diretrizes visando o controle”, afirmou. Ele também lembrou que pesquisas sobre o parasita Leishmania e as doenças que eles causam apontam para um aumento significativo ao longo da última década. “Na verdade, eles provaram que elas são modelos interessantes para o estudo de parasita-hospedeiro e interação vetor-hospedeiro, de mecanismos de resposta imune, biologia molecular, genética, epidemiologia e outras áreas afins”, disse.

Já o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Carlos Costa, em suas palavras enfatizou que o Worldleish 5 deve trazer boa ciência e boas respostas para controlar as Leishmanioses. Em sua fala, Costa reiterou a expectativa que com a partilha de conhecimentos e das colaborações consiga-se aprender mais sobre como controlar – não só esta doença que pode ser um indicativo de como podemos avançar – mas muitas outras doenças tropicais. “Isto é particularmente importante nesta nação, neste País, com todo o respeito aos demais, mas a mais proeminente nação tropical precisa aprender a fazer boa ciência, tendo boas instituições, a fazer o melhor pelos trópicos. Porque tudo o que for bem feito aqui será irradiado para todos os países tropicais que sofrem com tanta pobreza”, concluiu.

Dr. Sinval Pinto Brandão e Dr. Jeffrey Shaw

Somos o País com a maior quantidade de pesquisadores em Leishmanioses no mundo e também que registra grande número de casos. A Leishmania é exemplo para estudos e o Worldleish 5 deve incentivar a descoberta de novas ferramentas para ajudar o controle da doença no mundo. Para o presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Paulo Gadelha, o evento é uma forma de enfatizar o compromisso brasileiro de enfrentar essa doença tão desafiadora em vários aspectos.

O Brasil tem realizado investimentos públicos nesta área. De acordo com o Coordenador Nacional de Leishmanioses do Ministério da saúde (MS), Ricardo Marins, em 2012, foram aportados R$ 18 milhões para a área de pesquisa. “Sabemos que o valor não é suficiente, mas até que tenhamos um grupo de grande expressão na pesquisa de Leishmaniose no mundo temos que potencializar o uso destes recursos e contar com a colaboração da comunidade científica internacional, para que tenhamos respostas mais rápidas e assim possamos reduzir o impacto da doença sobre as populações mais pobres, mudando essa característica de doenças negligenciadas”, avaliou.

Em sua fala, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), Daniel Argaw, citou o Programa de Controle de Leishmanioses como uma das grandes realizações das últimas décadas, além da Resolução Nacional – que incentiva os Estados membros a incluir em suas agendas os problemas relacionados à doença. Outro avanço destacado foi a Regulação – nela os países devem produzir seus próprios programas contra Leishmanioses. Argaw lembrou que há um novo paradigma: países em desenvolvimento estão melhorando seus programas de vigilância – antes muito carentes. “Grandes progressos foram conseguidos nos últimos anos, como capacitação de pessoas e de gestão, além da pesquisa operacional e discussão por parte de vários países”, comemorou.

Homenagem – Ainda durante a abertura do Worldleish 5, Claude Pirmez, da Comissão Organizadora do evento, coordenou uma homenagem a alguns cientistas que dedicaram suas vidas ao estudo das Leishmanioses, entre eles, Alda Falcão, José Wellington Lima, Mauro Marzochi, Gabriel Grimaldi, Anthony Bryceson, Douglas Barker e John David Pirmez lembrou ainda cinco ícones já falecidos: Ítalo de Araújo Sherlock, Almério de Castro Gomes, Richard Titus, Alexandre Afrânio Peixoto e Robert Killick-Kendrick.

Evento – A programação do Worldleish 5 apresenta, além de 43 sessões orais e 14 simpósios satélite, 21 sessões especiais de hot-spots – sessões sobre temas polêmicos. Eles foram baseados em tópicos que precisavam de maior foco, desafios ou foram considerados controversos. Ao todo, serão apresentados 962 pôsteres em três sessões noturnas. Além disso, alguns põsteres foram especialmente selecionados e estarão localizados em seis áreas diferentes, que estão sendo chamados de rodas de discussão.

Evento World Leish 5