“Única medida de controle da paracoccidioidomicose é desenvolvimento de vacina”, diz especialista

Publicação: 15 de janeiro de 2012

O único meio de conter a paracoccidioidomicose (PCM), principal micose sistêmica endêmica que atinge as zonas rurais do Brasil, é a criação de uma vacina contra o agente da doença. A sentença é do especialista Flavio de Queiroz Telles, professor associado de infectologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“O agente da PCM é o fungo Paracoccidioides brasiliensis e a única medida de controle que se vislumbra no futuro é o desenvolvimento de uma vacina que oferecesse proteção aos indivíduos em risco”, afirma Telles. “Os casos não tratados terminam com a morte do paciente. Portanto, todo médico, independente de sua especialidade, deve saber reconhecer a PCM em suas fases iniciais”.

O alerta ligado para o potencial de letalidade da doença é justificado. Se não descoberta precocemente, a PCM pode acometer vários órgãos, principalmente os pulmões, além das mucosas e pele, gânglios, sistema nervoso central e glândulas adrenais.

De acordo com o professor da UFPR, os medicamentos utilizados no combate ao P. brasiliensis são bastante eficazes. Ele também destaca o avanço nos estudos de genética e biologia molecular na América Latina, que podem levar à criação da vacina e de diagnósticos mais rápidos e precisos. No entanto, apesar da evolução nas pesquisas sobre PCM, ainda se cobra uma ação mais contundente por parte do Ministério da Saúde.

“O Ministério da Saúde, através da divisão de pneumonias, órgão da Secretaria de Vigilância em Saúde, tem procurado oferecer um apoio ao disponibilizar alguns antifúngicos sistêmicos utilizados para tratar as micoses. Entretanto, há muito que se fazer. Há a necessidade de que se ofereça o tratamento gratuito em todos os estados, de modo semelhante aos programas de atendimento aos doentes com AIDS ou tuberculose”, opina Flavio Telles.

No artigo “Paracoccidioidomicose: Uma Importante Descoberta”, de 2008, Telles afirma que são diagnosticados de 4 a 6 mil novos casos da micose por ano no Brasil. O panorama atual, contudo, indica um avanço, que pode ser explicado pela implementação de modernas práticas agrícolas, entre eles o uso de fungicidas sistêmicos. Com estas novidades, houve redução de ocorrências no Sul e Sudeste do país. “Por outro lado, a expansão das fronteiras agrícolas para o Noroeste, especialmente Mato Grosso e Rondônia, tem ocasionado um aumento expressivo de novos casos autóctones naquela região”, complementa o professor.