Obituário: Robert Killick-Kendrick

Publicação: 15 de dezembro de 2011

(1929 †2011)

R. Killick-Kendrick nasceu em Hampton na Inglaterra em 20 de junho 1929 e faleceu no dia 22 de outubro de 2011 em Suméne na França, onde vivia com sua esposa Mireille. Bob, como era tratado pelos seus colegas e amigos mais próximos, foi um dos mais brilhantes parasitologistas de nossa época e passou mais de 50 anos estudando as doenças transmitidas por insetos.

No inicio de sua carreira, viveu na Nigéria por mais de oito anos trabalhando na transmissão da tripanossomíase africana humana e de animais domésticos pela mosca tsé-tsé. De volta a Grã-Bretanha, foi para a London School of Tropical Medicine onde passou a lecionar parasitologia e também realizou pesquisas em malária. Em 1972, já então como doutor, Bob foi para o Imperial College, em Ascot, Inglaterra, como pesquisador do Conselho de Pesquisas da Grã Bretanha, onde se dedicou ao estudo dos flebotomíneos e das leishmanioses. Neste período, viajou intensamente pelo mundo, em trabalhos de campo, inclusive pelo Brasil onde veio várias vezes.

Casou-se com Mireille, entomologista francesa, e juntos trabalharam na colonização de diferentes espécies de flebotomíneos de várias regiões do Mundo. Foi em colaboração com o Prof. Wallace Peters, editor do livro “The Leishmaniases in Biology and Medicine”, e publicou mais de 275 trabalhos científicos sobre malária, leishmanioses, tripanossomíases e outras doenças parasitárias. Deixou importantes observações sobre os flebotomíneos do Velho e Novo Mundo.

Foi um dos fundadores do ISOPS (International Symposium on Phlebotomine Sandflies), do qual participou ativamente em quase todos os eventos. Sua última participação foi no evento deste ano realizado na Turquia. Em reconhecimento por sua contribuição, Bob recebeu vários títulos, entre eles: Membro Honorário da Royal Entomological Society, Membro Honorário da American Society of Tropical Medicine and Hygiene, e o prêmio internacional “Emile Brumpt” por sua contribuição na Medicina Tropical. Desde 1988, era Membro Especialista do Comitê de Leishmanioses da Organização Mundial de Saúde. Em 2007, foi indicado como membro da Academia Francesa de Ciências de Hauts Cantons. Foi também homenageado por colegas que deram seu nome a algumas espécies de flebotomíneos e leishmanias por ele descritas. Além do grande interesse pelos flebotomíneos era grande conhecedor de sinos de animais domésticos e tinha uma coleção com mais de 500 peças do mundo todo, sua alegria era contar a história de cada uma das peças e de como as obteve.

Neste breve relato, consta um pouco da história deste notável cientista que, ao partir, nos deixa não apenas um grande legado que o fará lembrado e citado por muito tempo no meio científico mas também uma lembrança querida no coração de uma legião de discípulos e amigos que fez pelo mundo.

Obrigado Bob, pelo que nos deixou e nos ensinou.…