Doutor em dengue diverge de prefeito carioca

Publicação: 14 de setembro de 2011

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse recentemente que a capital fluminense poderá enfrentar no próximo verão a maior epidemia de dengue em sua história. No entanto, Rivaldo Venâncio da Cunha, mestre e doutor em estudos sobre a doença na Fundação Oswaldo Cruz (RJ), discorda da afirmação do prefeito e diz que esta crise pode ser evitada ou pelo menos reduzida.

“Não podemos antever uma fatalidade diante dos fatores previsíveis que agem sobre uma epidemia de dengue. Uma análise aprofundada sobre os fatores ambientais e a suscetibilidade da população a determinado sorotipo auxiliaria a elaboração de propostas de intervenção visando a reduzir os riscos de uma epidemia”, afirma.

Segundo Cunha, a coleta de resíduos sólidos, o abastecimento regular de água potável, a participação dos meios de comunicação públicos e privados e a ação dos agentes de saúde podem colaborar sensivelmente para a redução de uma crise da magnitude prevista pelo prefeito Eduardo Paes.

“A dengue é uma doença relativamente fácil de ser tratada. É inadmissível que ainda resulte em mortes algo cujo tratamento é simples de ser realizado na ampla maioria dos casos”, ressalta o especialista.

A declaração alarmante do governo municipal do Rio de Janeiro tem como base um levantamento da Secretaria da Saúde que indica um crescimento no número de casos em 2011. As maiores epidemias aconteceram em 2002 e 2008.

Mesmo contrário à ideia do prefeito, Dr. Rivaldo Venâncio da Cunha afirma que os médicos tropicais devem elogiar a postura. “Ainda que existam formas de prevenção da doença, temos de reconhecer a coragem do prefeito em assumir o risco da epidemia. Muitas vezes o discurso é o contrário, e as autoridades asseguram que tudo está sob controle, como observarmos durante a epidemia ocorrida em 2008, na mesma cidade do Rio de Janeiro”, finaliza.