Nota da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) em apoio à pesquisadora Dra. Margareth Dalcolmo

Publicação: 1 de janeiro de 2022

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A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) vem a público manifestar apoio à pesquisadora Dra. Margareth Dalcolmo, tendo em vista o ataque sofrido por parte da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) em retaliação ao artigo publicado na Folha de São Paulo, na sexta-feira, 14 de janeiro. Em manifesto incisivo divulgado no domingo (16), a entidade repudia artigo, no qual a cientista afirma que os primeiros casos de Covid-19 no Brasil, em 2020, foram oriundos dos desfiles nos sambódromos. Para os sambistas, os argumentos são falsos, mentirosos e distorcidos, e desafiam a médica a apresentar provas concretas, objetivas e científicas, além de informarem que acionarão a Justiça.

Este acontecimento demonstra de forma inequívoca o sistemático ataque à Ciência e àqueles que trabalham por ela. Ressaltamos que cabe aos pesquisadores produzir conhecimento científico e cooperar para sua ampla divulgação na sociedade, promovendo a democratização do conhecimento. A SBMT manifesta profunda indignação e repúdio ao ataque e destaca que neste momento TODA a ciência brasileira está sendo atacada pelas escolas de samba, na pessoa da Dra. Margareth Dalcolmo.

Como muito bem pontuou a pesquisadora em seu artigo, há risco real de colapso no sistema de saúde em emergências e aumento de demanda de internações e neste cenário, seria incongruente e de alto risco, tanto do ponto de vista sanitário quanto administrativo — e em que pese a envergadura do empreendimento, gerador de empregos temporários e de arrecadação — manter os desfiles de escolas de samba nos sambódromos. Além disso, o uso de transportes coletivos, inevitável para a maior parte dos espectadores e foliões, e a concentração de pessoas nas próprias agremiações, bem como em arquibancadas e camarotes, resultaria em alto risco de transmissão.

Por fim, a SBMT apresenta seu total apoio e solidariedade à colega, que se tornou símbolo da lucidez em tempos de trevas e obscurantismo, a qual representa a ciência brasileira com brilho e firmeza.