MEDTROP-PARASITO 2019: abertura é marcada por anúncio de 50 milhões em doenças negligenciadas

Publicação: 29 de julho de 2019

Cerimônia de abertura do maior congresso de Medicina Tropical e Parasitologia do País foi palco do anúncio de R$ 24 milhões para estudos sobre doenças negligenciadas, R$ 10 milhões para pesquisas exclusivamente dedicadas à malária, e R$ 16 milhões para estudos sobre tuberculose

Belo Horizonte (MG) sedia até a próxima quarta-feira (31/7) o maior evento médico-científico de sua história: o MEDTROP-PARASITO 2019. Durante quatro dias de evento, a capital mineira deve acolher cerca de 3 mil pessoas, entre profissionais e estudantes de instituições brasileiras e internacionais, das áreas de infectologia, epidemiologia, farmácia, biomedicina, biologia, laboratórios clínicos, vigilância epidemiológica, gestão e políticas de saúde.

Marcada pelo anúncio de investimento no montante de R$ 50 milhões em pesquisas sobre doenças transmissíveis e negligenciadas feita pelo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a cerimônia de abertura, realizada no Palácio das Artes, maior centro de produção, formação e difusão cultural de Minas Gerais e um dos maiores da América Latina, também foi palco de discursos carregados de emoção, como o da magnífica Reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dra. Sandra Goulart. Em sua fala de saudação, o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Dr. Sinval Pinto Brandão Filho, destacou a importância da realização do congresso em um ano difícil para apoio a eventos científicos.

 

A conferência apresentada pelo Dr. Pedro Albajar, da Organização Mundial de Saúde (OMS), com o tema “Novo roteiro 2021-2030 de controle, eliminação ou erradicação das 20 doenças tropicais negligenciadas. Consulta global no atual contexto da saúde planetária, a vulnerabilidade e os movimentos de população”, foi outro momento que entusiasmou o público que lotava o teatro, com capacidade de 1.707 pessoas. Durante a cerimônia de abertura, a Sociedades Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e a Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP) também homenagearam os pesquisadores ilustres das respectivas sociedades. O Dr. Mitemayer Galvão dos Reis entregou ao Professor Dr. Naftale Katz a Medalha do Mérito Científico Carlos Chagas, um dos mais renomados pesquisadores da esquistossomose no Brasil, que atua há mais de 50 anos no estudo da doença e publicou mais de 270 trabalhos científicos. Entre as suas principais contribuições podem ser nomeadas, o método de diagnóstico parasitológico Kato-Katz para exame das fezes, utilizado em muitos países do mundo, os primeiros ensaios clínicos com oxamniquina e praziquantel, estudos epidemiológicos e de controle da esquistossomose em zonas endêmicas de Minas Gerais. O Dr. Natftale Katz foi presidente da SBMT e da SBP, por duas vezes, e vice-presidente da World Federation for Parasitologists. Também foram homenageados os doutores Edward Felix Silva, Alejandro Luquetti e Paulo Marcos Zech Coelho e a Doutora Hiro Goto pela Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas e Leishmaniose. Os doutores Luiz Fernando Ferreira e Vicente Amato Neto, falecidos em 2018, foram lembrados In Memoriam.

 

Após as homenagens, o evento foi abrilhantado pelas premiações. O título de Jornalista Tropical 2019, em sua 6ª edição, foi concedido ao jornalista Luiz Henrique da Silva Gomes, vencedor na categoria Impresso, com a matéria “Pesquisa busca resposta sobre vírus“, veiculada no jornal Tribuna do Norte, em 30 de março deste ano, à jornalista Valéria Dias da Silva, vencedora na categoria Online, com a reportagem especial “No Acre, USP pesquisa malária e saúde de mães e seus bebês“, publicada no Jornal da USP, em 13 de setembro de 2018; à jornalista Éricka Flavia Marques de Araújo, que produz a matéria “Saúde faz alerta para vacinação contra febre amarela; especialista ressalta a importância da vacinação”; veiculada na Rádio Brasil Campinas, no dia 20 de fevereiro deste ano; e à jornalista Ana Graziela Aguiar, com a reportagem “Doença de Chagas: o adoecer do coração”, veiculada na TV Brasil, em 16 de agosto de 2018.

 

O prêmio NHR de Jornalismo, na categoria Rádio, teve como vencedora a reportagem “Hanseníase – Vários Olhares”, produzida por Christian Jhon Gomes Sousa, da Rádio Antares (Piauí); na categoria Mídia Online, a reportagem premiada foi “Dramas da Hanseníase”, de Wendell Rodrigues, do site Repórter Especial (Brasília); na categoria TV, a série de reportagens premiada foi “Hanseníase – Por um acolhimento libertador”, de Rita Brito, da TV Fortaleza (Ceará); na categoria Jornais e Revistas, a reportagem premiada foi “Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase”, produzida por Jane Fernandes, do Jornal A Tarde (Bahia); e na categoria especial Estigma, o prêmio foi para a reportagem “Na luta contra a hanseníase, o preconceito ainda é forte barreira”, de Ludimila Honorato, publicada no site E-Mais Estadão (São Paulo).

 

O Prêmio Jovem Pesquisador, dividido em três categorias (graduação, doutorado e mestrado) foi concedido aos estudantes: Caue Benito Scarim; Luiza da Lima Silva Padrão; Luiz Antonio Perfeto Oliveira Silva; Aristeu Mascarenhas da Fonseca; Larissa Mendes Santos; Roberto de Sena Rodrigues Junior; Pedro Santos Muccillo Reis. Já o Prêmio Young Investigators Awards concedido pelo Institut Merieux foi para o Dr. Rafaek Freitas de Oliveira França.

Com mais 495 (quatrocentos e noventa e cinco) palestrantes nacionais e internacionais, o Congresso debate problemas emergentes em saúde pública, em doenças tropicais, de populações negligenciadas e de doenças negligenciadas, permeado de compromisso científico, social e de políticas públicas.