Leishmaniose: estudo que busca diagnóstico diferencial sorológico para LHT vence na categoria Pós-Doutorado do Prêmio Jovem Pesquisador 2016

Publicação: 9 de novembro de 2016

Pesquisa estudou o potencial antigênico de seis novos antígenos que são capazes de discriminar soros distintos de pacientes humanos com LHT de outros com LV, doença de Chagas e pessoas sadias

A ideia surgiu da necessidade de ainda não existir na clínica médica uma plataforma de diagnóstico diferencial sorológico para LTH que seja 100% sensível e específico

A ideia surgiu da necessidade de ainda não existir na clínica médica uma plataforma de diagnóstico diferencial sorológico para LTH que seja 100% sensível e específico

Um trabalho que pretende criar um kit de diagnóstico rápido, sensível, específico e barato para Leishmaniose Tegumentar Humana (LTH), e suas várias manifestações clínicas distintas, foi o grande vencedor da categoria Pós-Doutorado do Prêmio Jovem Pesquisador 2016.

De acordo com a vencedora do prêmio, a doutora Lourena Emanuele Costa, a ideia do projeto surgiu da necessidade de não existir na clínica médica, até o momento, uma plataforma de diagnóstico diferencial sorológico para LTH que seja 100% sensível e específico para a enfermidade.

Esse tipo de leishmaniose é uma doença infecciosa, mas não contagiosa, que provoca úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas. É transmitida ao homem através do mosquito-palha portador de espécies de protozoários do gênero Leishmania. Sem tratamento, pode ter consequências bastante graves.

A pesquisa estudou o potencial antigênico de seis novos antígenos. Eles são capazes de discriminar soros distintos de pacientes humanos com leishmaniose tegumentar – nas formas mucosa e cutânea – de outros com leishmaniose visceral, doença de Chagas e pessoas sadias de áreas endêmicas e não endêmicas.

“Utilizamos uma técnica de biologia molecular chamada de Phage Display, que é uma técnica moderna, simples e barata. Ela consiste basicamente na busca de novos antígenos frente a uma molécula alvo de interesse e, para isso, utiliza-se de uma ferramenta que é o bacteriófago, um vírus de bactéria geneticamente modificado”, explica a doutora Lourena. Ainda de acordo com ela, foram utilizados, como controles dos experimentos, o fago selvagem, que é a forma encontrada na natureza.

A pesquisa foi feita em parceria com o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com o Centro de Referências em Doenças Infecciosas e Parasitárias CTR-DIP Orestes Diniz, ambos referência no tratamento das leishmanioses. Além da Dra. Lourena, fazem parte do trabalho os pesquisadores: Beatriz C. S. Salles, Patrícia T. Alves, Ana C. S. Dias, Emília R. Vaz, Fernanda F. Ramos, Daniel Menezes-Souza, Mariana C. Duarte, Daniel Silva Dias, Ana Maria Ravena Severino Carvalho, Fernanda L. Ribeiro, Patrícia Aparecida, Fernandes Ribeiro, Bruno M. Roatt, Denise U. Gonçalves, Manoel O. C. Rocha, Luiz Ricardo Goulart, Eduardo A. F. Coelho. Ao todo, estiveram envolvidos no estudo 17 pesquisadores e 130 pacientes entre os anos de 2014 e 2015.

O trabalho rendeu duas patentes de propriedade intelectual. Uma pelo método utilizado de seleção negativa e positiva (para refinamento dos antígenos – método inédito) e outra pelos seis fagos válidos e suas respectivas sequencias peptídicas patenteadas.…