Infecções sexualmente transmissíveis são foco de pesquisa nacional no MedTrop

Publicação: 3 de setembro de 2018

Congresso promovido pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical traz ao Recife mais de três mil pesquisadores para discutir avanços e desafios em saúde pública

A mesa-redonda Situação epidemiológica e prevalência de HIV, sífilis e hepatites virais em populações vulneráveis às IST no Brasil”, que ocupará a manhã de terça-feira, no Congresso Medtrop, apresentará a situação epidemiológica e prevalência das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em populações vulneráveis no BrasilOs estudos são as evidências que fundamentam a Agenda Estratégica para ampliar o acesso e o cuidado integral de população-chave em HIV, hepatites virais e outras ISTs, lançada em março de 2018 pelo Ministério da Saúde (MS). 

Segundo Ana Brito, professora de Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, “os trabalhos sobre populações chaves para a infecção HIV, sífilis e hepatites virais (B e C), a serem apresentados durante o MedTrop, foram resultados de três pesquisas de âmbito nacional, em 10 capitais das cinco regiões do País e o Distrito Federal”. Financiadas pelo MS entre 2016 e 2017, as pesquisas demonstraram em estudos recentes altas prevalências destas ISTs nesses segmentos vulneráveisou seja, homens homossexuais, mulheres profissionais do sexo, travestis e mulheres transexuais, além de usuários de crack. 

Um dos estudos a serem apresentados no congresso será “Vulnerabilidade de usuários de crack ao HIV e outras doenças transmissíveis”, que entrevistou integrantes do Programa de Atenção Integral aos Usuários de Drogas e seus Familiares, conhecido como Programa Atitude, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ). Com realização da Fiocruz Pernambuco e outros órgãos e entidades de saúde do Estado, o estudo entrevistou 1.062 usuários de crack, de idades entre 18 e 34 anos, de agosto de 2014 ao mesmo mês em 2015. Desse número, 819 são do sexo masculino e 243, do sexo feminino, em situação de rua e com baixa escolaridade. 

PROFILAXIA  De acordo com a Secretaria de Saúde (SES) de Pernambucoestá funcionando no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), ligado à Universidade de Pernambuco (UPE), o atendimento ao público que fará uso da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), mais uma estratégia de prevenção contra o vírus HIV. A ação é uma parceria com o Ministério da Saúde (MS), que fornece a medicação para a profilaxia. PrEP não é para todos. Ela é indicada para pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV.  De acordo com o Ministério da Saúde, a profilaxia deve ser voltada para populações mais vulneráveis (trabalhadores do sexo, pessoas trans, gays e outros homens que fazem sexo com homens e casais sorodiscordantes).  

Para Ana Brito, a PrEP é uma ação complementar, voltada a situações especiais. Ela alerta que outras atividades devem ser feitas para o enfrentamento da epidemia do HIV/aids no País. “Algumas bandeiras devem ser perseguidas como o acesso amplo e gratuito ao preservativo (masculino e feminino) e a adoção de medidas coletivas, centradas em ações de educação em saúde, na defesa dos direitos humanos, contra o estigma e a discriminação, e o direito à livre orientação sexual e às identidades de gênero, em todas as esferas públicas e privadas”, reforça Ana 

DADOS DE AIDS Segundo a SES-PE, de 2007 até junho de 2017, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – que notifica e investiga casos de doenças e agravos da lista nacional de doenças de notificação compulsória – 194.217 casos de infecção pelo HIV no Brasil, sendo 30.297 (15,6%) na região NordesteEm Pernambuco, desde o início das notificações, no ano de 1983, até junho de 2017, foram registrados 31.955 casos de Aids, sendo 20.596 no público masculino e 11.355 no feminino. Em 2016, foram 1.863 (1.259 masculinos e 604 femininos) e metade de 2017*, 750 (497 masculinos e 252 femininos) – dados sujeitos a alteração. 

Nos casos acima de 13 anos (24.599 pessoas), quando analisada a categoria de exposição, a maior parte dos casos envolve a transmissão via sexual, de acordo com a declaração do paciente. No público masculino, são 4.944 casos em relações sexuais entre heterossexuais (30,82%) e 3.945 em relações homossexuais (24,60%). Ainda há 4.792 (29,88%) casos ignorados, ou seja, nos quais não foi possível identificar o tipo de exposição. No público feminino, são 7.253 casos entre heterossexuais (84,73%) e 1.078 ignorados (12,59%). 

 

Serviço: 

54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop) 2018 

Quando: 2 a 5 de setembro 

Onde: Centro de Convenções, em Olinda, em Pernambuco, e Mar Hotel Conventions em Boa Viagem, além de outros locais onde serão ministrados cursos e oficinas  

Mais informações e programação completahttp://www.medtrop2018.com.br/ 

Mesa: Situação epidemiológica e prevalência de HIV, sífilis e hepatites virais em populações vulneráveis às IST no Brasil – Coordenação: Ana Brito