Fiocruz lamenta perda de um de seus pesquisadores mais brilhantes

Publicação: 7 de August de 2015

A Fiocruz amanheceu de luto nesta sexta-feira (7/8). A Presidência da instituição lamenta profundamente o falecimento de Adauto José Gonçalves de Araújo, um de seus mais brilhantes pesquisadores e gestores. Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) de dezembro de 1994 a dezembro de 1997, Adauto reunia rara competência científica que se aliava a virtudes de um ser humano especial. Deixa um legado inestimável para a ciência mundial. Um de seus feitos de grande relevância foi a consolidação da paleoparasitologia, um campo científico reconhecido internacionalmente, cujos estudos tiveram início em 1978, ao lado de um dos seus maiores parceiros: o pesquisador emérito da Fiocruz Luiz Fernando Ferreira. Dessa forma, imprimiu uma marca inconfundível ao seu trabalho, que ficará gravada para sempre na memória da Fiocruz.

Autor de quase 200 artigos científicos, 18 capítulos de livros e três livros – um deles, Fundamentos da Paleoparasitologia, organizado junto com os pesquisadores Luiz Fernando Ferreira e Karl Jan Reinhard, que conquistou o primeiro lugar na categoria Ciências Naturais do Prêmio Jabuti 2012. Iniciativa inédita no mundo, o livro, publicado em 2011 pela Editora Fiocruz, compila o conhecimento disponível sobre o assunto e apresenta o estado da arte em paleoparasitologia, ciência voltada para o estudo dos parasitos do passado.

Cientista premiado e reconhecido por seus pares, Adauto foi agraciado seguidas vezes com o título de Cientista do Nosso Estado, concedido pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), onde também coordenava a Área de Ciências da Saúde e era membro do Conselho Superior. Entre as honrarias e representações, em 1994 presidiu a Associación Latino Americana y del Caribe de Educación en Salud Pública (Alaesp), em 2006 tornou-se membro titular da Academia de Medicina do Rio de Janeiro, em 2007 foi eleito representante da Sociedade Brasileira de Parasitologia na World Federation of Parasitology, e em 2009 tornou-se membro correspondente da Academia Paraense de Ciências.

“Não queremos reconstruir o passado. O que queremos é buscar dados para tornar o presente melhor e mais inteligível”. Era assim que Adauto Araújo enxergava a paleoparasitologia e foi com essas palavras que abriu uma, de muitas, sessões científicas na Ensp. Adauto formou centenas de alunos na Fiocruz, foi grande incentivador de novos talentos por meio do Programa de Vocação Científica (Provoc), da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), e um entusiasta da política de acesso livre ao conhecimento gerado na instituição, instituída na Fiocruz em 2013.

Adauto passou a integrar os quadros da Ensp em 1984, quando deixou a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Direção da Ensp, entre tantas outras realizações, criou o programa de Educação a Distância, uma grande inovação no fim dos anos 90. Mais adiante, foi coordenador de pós-graduação da Ensp e em 2005 coordenou a Pós-Graduação da Fiocruz.

Adauto José Gonçalves de Araújo nasceu no Rio de Janeiro em 29 de janeiro de 1951. Graduou-se na Faculdade de Medicina da UFRJ em 1975. Em 1980, concluiu o mestrado em Biologia Parasitária pela Fiocruz e, em 1987, o doutorado em Saúde Pública, também pela Fiocruz. Obteve pós-doutorado pela University of Nebraska (EUA), em 2002. Suas áreas de atuação eram a paleoparasitologia, a helmintologia de parasitos, a epidemiologia e a origem e a evolução do parasitismo.

Adauto faleceu nesta quinta-feira (6/8/2015), depois de uma longa luta contra um câncer. Deixa esposa, três filhos, dois netos e uma legião de fãs e admiradores saudosos de sua presença. Seu corpo será cremado neste sábado (8/8), mas a família ainda não definiu como será o velório.

Uma perda inestimável para a Ensp, para a Fiocruz e para a ciência mundial.