Entomol8 Virtual: Ciência para a saúde da população

Publicação: 6 de agosto de 2021

Workshop virtual discute os avanços nos estudos de vetores de doenças tropicais negligenciadas

Entomol aborda a genética, a biologia molecular e o controle de insetos vetores e tem como foco pesquisas em vetores envolvidos em doenças como arboviroses, malária, leishmaniose, filariose e doença de Chagas

A pandemia chegou sem avisar, sem pedir licença e ninguém imaginava a crise de saúde pública, econômica e social que enfrentaríamos em escala global. Em um primeiro momento a situação nos lembrava o título de um álbum da Adriana Calcanhotto: Nada Ficou no Lugar. Mas a pandemia trouxe ensinamentos e com ele uma nova forma de aprendizado e debate, os eventos virtuais. Os eventos online realizados durante este período têm promovido troca de conhecimento e valorização da ciência. E assim, o 8º. Workshop em Genética e Biologia Molecular de Insetos Vetores de Doenças Tropicais (Entomol8) será de forma virtual e simultânea ao 56º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP Play 2021), que será realizado entre os dias 25 e 28 de outubro.

Idealizado e liderado pelo Dr. Sinval Pinto Brandão Filho, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e ex-diretor do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz), juntamente com colegas do IAM e de pesquisadores de outras instituições do Brasil, o Entomol aborda a genética, a biologia molecular e o controle de insetos vetores e tem como foco pesquisas em insetos envolvidos em doenças como filariose, arboviroses, malária, leishmaniose, esquistossomose e doença de Chagas. O evento é um fórum que tem o objetivo de disseminar avanços de pesquisas em insetos vetores, produzidos por grupos de referência do Brasil e do exterior, e promover discussões de alto nível científico sobre doenças tropicais de impacto na saúde pública.

O Dr. Brandão Filho explica que o evento pretende atender também à demanda crescente de formação de estudantes de graduação e pós-graduação da Região Nordeste, assim como contribuir para a atualização profissional dos pesquisadores que já atuam nas áreas relacionadas ao tema central do evento. Ainda segundo ele, a programação deve proporcionar o interesse da participação de técnicos envolvidos na elaboração e execução dos serviços de vigilância em saúde nos programas de controle de vetores nos níveis municipal, estadual e federal. “Além disso, o evento contribui para o fortalecimento e a integração dos grupos de pesquisa envolvidos com esta temática no Brasil e, de forma especial, na Região Nordeste, auxiliando o desenvolvimento e a inovação tecnológica neste campo do conhecimento, que tem relação direta com políticas públicas de fomento desenvolvidas pelos Ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Saúde”, ressalta.

A utilização de ferramentas de biologia molecular no estudo de insetos vetores vem sendo cada vez mais difundida entre pesquisadores de todo o mundo, resultando no surgimento de alternativas de controle cada vez mais específicas e eficazes. Entretanto, segundo o Dr. Brandão Filho, apesar da notável expansão deste campo no Brasil, considera-se que o número de pesquisadores devidamente capacitados para a condução destes trabalhos ainda é restrito, determinando a necessidade da formação e capacitação de recursos humanos nas áreas que permeiam a chamada Entomologia Molecular. Para ele, a realização do Entomol8 vai contribuir no processo de aperfeiçoamento profissional dos grupos de pesquisa atuantes nesta área do conhecimento no Brasil.

As doenças transmitidas por insetos hematófagos acometem milhares de pessoas a cada ano e representam um sério problema de saúde pública no Brasil. Até pouco tempo, o foco dos programas de controle das doenças transmitidas por insetos era voltado para o desenvolvimento de métodos terapêuticos e de diagnóstico que, de uma forma geral, não impediram a expansão das áreas endêmicas nos últimos anos. “Temos observado interesse crescente dos órgãos de vigilância sanitária no delineamento de estratégias de controle baseadas no combate aos insetos transmissores. Mas, para que estes métodos alcancem o nível de eficácia desejado, é imprescindível que se disponha de um profundo conhecimento acerca da biologia destes organismos, assim como dos delicados mecanismos de interação com os agentes etiológicos que eles transmitem”, enfatiza o Dr. Brandão Filho.

Com uma programação que inclui conferências em temas estratégicos e apresentações orais, o evento é voltado para pesquisadores, técnicos, profissionais de serviços de vigilância em saúde e estudantes de graduação e pós-graduação que atuam nas áreas de biologia, bioquímica, fisiologia, genética, biologia molecular, bioinformática e saúde pública no estudo de insetos vetores. Confira a programação do Entomol8 Virtual aqui. A primeira edição do Entomol ocorreu em 2004 e, desde então, o evento ocorre bianualmente. “São foram sete edições realizadas com muito êxito, atendendo a uma demanda dos grupos de pesquisa em entomologia médica no Brasil, que necessitam de um fórum científico especificamente dedicado aos insetos vetores. As edições mais recentes tiveram ainda a parceria da “Society of Vector Ecology (SOVE Brasil), o que fomentou a internacionalização do evento”, lembra o Dr. Brandão Filho. O Entomol vem sendo apoiado pelas instituições organizadoras (FIOCRUZ, UFPE, INCT-Entomologia Molecular, SOVE) além de agências de financiamento (CNPq, CAPES, FACEPE).

Além do Workshop em Genética e Biologia Molecular de Insetos Vetores de Doenças Tropicais (Entomol8), também estão previstos o VIII Workshop Nacional da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose REDE-TB, a reunião de pesquisa aplicada ChagasLeish, o Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento de Doenças Infecciosas e Negligenciadas e primeiro Fórum COVID-19. A realização destes eventos satélites, que ocorrem simultaneamente ao Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, amplia a participação do púbico e possibilita a integração dos grupos de pesquisa. Eles representam uma excelente oportunidade para que os participantes possam trocar suas expertises, debaterem e interagirem em parcerias com áreas e projetos de colaboração. Nas atividades do MEDTROP PLAY estão planejados ainda 16 minicursos, 24 conferências, 72 mesas redonda e a apresentação dos temas livres.