Encontros debatem doença de Chagas e leishmanioses em Uberaba

Publicação: 11 de setembro de 2014

Temas polêmicos estarão em pauta, como um debate sobre a eutanásia ou tratamento de cães com leishmaniose

Dra. Walderez

No encontro sobre leishmaniose, um dos tópicos será o sacrifício ou tratamento de animais infectados. O assunto vai ser discutido em mesa redonda, sendo respaldado por pessoas extremamente experientes na área

A comunidade científica especializada em doença de Chagas  e leishmanioses  se reúne na Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG), entre os dias 17 e 19 de novembro. Mas não apenas cientistas especializados nessas enfermidades estarão presentes, como explica a doutora em Bioquímica e Imunologia, Walderez Ornelas Dutra , coordenadora do evento: “Também participarão pessoas ligadas às áreas de tecnologia potencialmente aplicáveis a essas doenças”, afirma ao complementar que neste ano comemoram-se, os 30 anos desta tradicional reunião.

As soluções tecnológicas com aplicabilidade prática no tratamento, controle e prevenção de doenças será o mote de todos os debates. A coordenadora do evento lembra que essa reunião pretende chamar a atenção de diferentes áreas de estudo com o intuito de obter soluções conjuntas. “É possível encontrar um tratamento eficaz para uma patologia, mas, e quando há mutações que levam à resistência aos medicamentos? E a questão da vigilância epidemiológica?” questiona ao explicar que a ideia, dentro das particularidades das duas doenças é congregar pessoas de áreas distintas para que se possa encontrar as melhores formas de lidar com esses sérios problemas de saúde pública.

Com mais de 9 milhões de pessoas infectadas no mundo, a doença de Chagas é um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, onde afeta cerca de 4 milhões de indivíduos. Apesar das ações de controle à enfermidade empregadas no País na década de 1970, a Drª Dutra alerta para o problema da vigilância epidemiológica na América do Sul como fator preocupante para os brasileiros. “Se você controla aqui no Brasil, mas não nos países vizinhos, há um trânsito constante dos vetores e, consequentemente, uma reincidência da doença”, ressalta. Ela alerta que, devido à migração humana, a doença afeta também áreas não endêmicas, como a Espanha e os Estados Unidos. Em solo estadunidense, em 2005, cerca de 300 mil indivíduos estavam infectados por Trypanosoma cruzi.

Já no encontro sobre leishmaniose, um dos tópicos será o sacrifício ou tratamento de animais infectados, tema polêmico que vem sendo tratado nos tribunais brasileiros . “O assunto vai ser discutido em mesa redonda, sendo respaldado por pessoas extremamente experientes na área. O debate sobre qual política adotar é importante e delicado. É melhor conviver com a possibilidade de um falso-negativo e não sacrificar, arriscando que pessoas contraiam uma doença que pode ser letal?”, coloca. Perguntada se o que faltaria é vontade política, a pesquisadora afirma que vontade existe, mas há uma deficiência geral na ciência e na política em todos os escalões, que é uma falta de integração. “Se todos atuassem em torno de um determinado objetivo, seria muito mais fácil. Por isso queremos abrir um fórum integrado de discussão, reunindo todas as esferas”, antecipa.

A XXX Reunião sobre Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas e a XVIII Reunião sobre Pesquisa Aplicada em Leishmanioses contam com o apoio, dentre outros, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde (MS). São esperadas cerca de 400 pessoas e estão previstos eventos como cursos sobre vetores, manejo clínico de pacientes com doença de Chagas, citometria de fluxo, de grande interesse para a comunidade e alunos de graduação e pós-graduação. Para mais informações e para se inscrever, clique aqui .…