DOAJ: plataforma facilita acesso a periódicos de acesso aberto

Publicação: 14 de junho de 2022

Periódicos de acesso aberto de todos os países e em todos os idiomas podem se inscrever para inclusão

DOAJ é o Diretório de revistas eletrônicas de acesso aberto, mantido pela Lund University Libraries na Suécia, que permite a busca pelo título da revista e do artigo

Lançado em 2003, com 300 periódicos de acesso aberto, pela Universidade Lund na Suécia, o Directory of Open Access Journals (DOAJ) é um diretório on-line independente que conta com mais de 17.700 mil periódicos de acesso aberto, revisados por pares, de 130 países, 80 línguas, e mais de 7.57 milhões de artigos registrados de diversas áreas do conhecimento, como ciência, tecnologia, medicina, ciências sociais, artes e humanas. Constituído por uma organização sem fins lucrativos, tem como objetivo aumentar a visibilidade, acessibilidade, reputação, uso e impacto de revistas científicas de qualidade, revisadas por pares e de acesso aberto em todo o mundo, independentemente da disciplina, geografia ou idioma, além de se comprometer a manter seus serviços e metadados livres para serem usados por todos.

Mas talvez o grande diferencial do Diretório seja a indexação de revistas que publicam textos na modalidade diamante (diamond open access) ou ouro (gold open access), cuja diferença básica entre diamond open access e gold open access é o pagamento: diamond não tem custo para autores ou leitores / gold tem custo para os autores. Vale lembrar que o número de artigos que um periódico diamante de acesso aberto consegue publicar muitas vezes é menor e alguns estão em áreas de nicho da ciência em vez de alcance multidisciplinar e, portanto, sua cobertura pode ser menor àquela que os periódicos comerciais de grande orçamento alcançam com seus recursos. Isso significa que as revistas diamante de acesso aberto devem receber apoio maior para que possam ter melhor alcance, e não se transformarem em editoras comerciais. Aqui deixamos um questionamento àqueles que escolhem a revista baseada em métricas editoriais e não na pura ciência, bem como para instituições como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que usam métricas para avaliação da ciência e dos pesquisadores: quais os interesses? A ciência ideal não é ideal?

A Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (RSBMT), diamond open access, é um dos periódicos brasileiros que faz parte do DOAJ, categoria “Tropical”, além da Revista Amazônia: Science & Health; Revista de Patologia Tropical e Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Essas revistas são consideradas muito importantes porque passaram pelos critérios do DOAJ, cuja qualidade dos periódicos é garantida por uma lista de requisitos que são avaliados antes do material ser disponibilizado na página, em uma espécie de triagem. Um deles, por exemplo, é verificar se o periódico é realmente de livre acesso. O Diretório exige que a página do periódico deixe explícito que os leitores podem ler, fazer download, copiar, distribuir, imprimir, buscar ou linkar o texto completo dos artigos ou usá-los para qualquer outra finalidade, sem pedir permissão prévia ao autor ou editor.

Considerado um dos índices mais completos de periódicos de acesso aberto, o DOAJ, estimula os periódicos a disponibilizarem informações detalhadas em seus sites sobre os objetivos e o escopo da revista, o conselho editorial, as instruções para os autores, a descrição do sistema de controle de qualidade, a declaração de acesso aberto, a política de plágio e os termos de licenciamento dos conteúdos publicados, uma vez que todas as revistas indexadas ao Diretório precisam apresentar suas políticas editoriais para atender princípios de transparência e melhores práticas em publicações acadêmicas.

Estar indexada em uma base de dados de pesquisas científicas é fundamental para qualquer revista. Conseguir a indexação em uma base de dados relevante significa reconhecimento de mérito, aval à qualidade de seus artigos e, consequentemente, para seus autores, que normalmente estão submetidos a processos de mensuração de desempenhos de atividades, tanto acadêmicos como de serviços. Periódicos de acesso aberto de todos os países e em todos os idiomas podem se inscrever para inclusão.

Para ser incluído no DOAJ, ele deve exercer o controle de qualidade em seus trabalhos, como apresentar um editor e corpo editorial, ter um ISSN (International Standard Serial Number) e e-ISSN, no caso de revistas online e, principalmente, aderir às políticas de acesso livre – que usam um modelo de publicação que aos usuários acessarem, lerem e baixarem os artigos sem custos. É uma forma de garantir o direito de uso do material gratuitamente pelos leitores e também compartilhar o material publicado, promovendo o intercâmbio de conhecimento. Para conseguir a indexação em cada uma das bases, é preciso atender seus próprios requisitos, mas é preciso antes conhecer o foco das opções existentes para, depois, organizar-se para uma candidatura.

Índice de acesso aberto exclui milhares de periódicos

O DOAJ foi alvo de críticas por incluir periódicos predatórios em sua base. Isso o levou a tornar mais restritos os critérios de inclusão de novos periódicos e a demandar que todos os periódicos indexados deveriam ressubmeter sua solicitação de ingresso no Diretório. Artigo publicado na revista científica Nature, em maio de 2016, intitulado Open-access index delists thousands of journals destacou a exclusão de cerca de 3.300 títulos como parte de um esforço para excluir editores questionáveis e inativos.

Para garantir que os artigos disponíveis sejam de alta qualidade, o DOAJ disponibiliza especialistas para dar feedback a respeito do material enviado. Essa equipe é composta por profissionais de diversos lugares que podem auxiliar em outras línguas, além do inglês. O processo de publicação é totalmente gratuito e consiste em três etapas: preenchimento e envio do formulário de candidatura, definição da tipologia do periódico cadastrado e a verificação dos dados enviados.

Princípios de Transparência e Boas Práticas em Publicação Científica

Em 2013, o DOAJ, em uma iniciativa conjunta com o Committee of Publication Ethics (COPE), a Open Access Scholarly Publishers Association (OASPA) e a World Association of Medical Editors (WAME), publicaram o conjunto de normas conhecido como Principles of Transparency and Best Practice in Scholarly Publishing. Os princípios reúnem 16 tópicos, incluindo a avaliação por pares, corpo editorial, direitos autorais, conduta para lidar com má conduta científica, conflito de interesse, fontes de receita, publicidade e muitos outros, cobrindo praticamente todos os aspectos inerentes à publicação científica. De acordo com o site, os critérios derivam principalmente daqueles desenvolvidos pelo DOAJ em sua criação, no ano de 2003. As organizações participantes têm como finalidade disseminar o conjunto de normas para seus associados com o objetivo de fazer com que mais publishers sigam os princípios éticos que norteiam as boas práticas em comunicação científica, além de se dedicarem a estabelecer normas de conduta na publicação científica e identificar princípios de ética e transparência que distinguem periódicos legítimos daqueles não legítimos, muitas vezes fraudulentos.

Para mais informações de como usar o banco de dados DOAJ, acesse o guia rápido. Caso tenha interesse em submeter material para análise e possível postagem no DOAJ, acesse o Journal Application Form. Para saber mais, acesse o site do Directory of Open Access Journal.