COVID-19: Vacina com mRNA pode oferecer proteção por anos

Publicação: 6 de agosto de 2021

Estudo mostrou o desenvolvimento robusto de células B nos gânglios linfáticos por pelo menos 12 semanas após a vacinação completa

Pesquisadores não puderam dizer se alguém que recebeu as doses mRNA e que não foi infectado anteriormente estava protegido da mesma maneira

Um novo estudo publicado na revista Nature no final de junho intitulado “SARS-CoV-2 mRNA vaccines induce persistent human germinal centre responses” demonstra evidências de que a vacina Pfizer-BioNTech pode desencadear uma resposta imunológica persistente que garantiria uma proteção a longo prazo contra a COVID-19. Isso, no entanto, depende diretamente da evolução das variantes do vírus, que podem mudar o quadro e diminuir a eficiência. Ainda segundo o estudo, pessoas que se recuperaram da Covid-19 antes de serem vacinadas com imunizantes que usam a tecnologia do RNA mensageiro também podem não precisar de reforços. Apesar disso, a conclusão pode não se aplicar a idosos, pessoas com sistema imunológico debilitado e aqueles que tomam medicamentos que suprimem a imunidade.

A Dra. Rachel Presti, PhD, Membro da Sociedade de Doenças Infecciosas dos EUA e Professora Associada de Doenças Infecciosas, Unidade de Pesquisas Clinicas em Doenças Infecciosas da Washington University in St. Louis, coautora, explica que o estudo mostrou o desenvolvimento robusto de células B nos gânglios linfáticos por pelo menos 12 semanas após a vacinação completa. “Isso é importante porque as vacinas estão induzindo uma resposta de longa duração nos centros germinativos dos nódulos linfáticos, onde as células B são treinadas para produzir anticorpos de forte ligação e longa duração, embora os componentes da vacina já tenham desaparecido há muito tempo”, destaca. Este é um bom sinal de quão duradoura é a nossa imunidade com estas vacinas. Ainda segundo ela, é muito promissor que as vacinas resultem em imunidade de longo prazo que parece ser eficaz contra as variantes atuais.

Após uma pessoa ser vacinada, uma estrutura especializada chamada centro germinativo se forma nos nódulos. Essa estrutura é uma espécie de escola para as chamadas células de memória B, onde elas se tornam cada vez mais sofisticadas e aprendem a produzir anticorpos melhores contra as proteínas spike do vírus. Quanto mais amplo for o alcance e quanto mais tempo essas células tiverem para praticar, maior será a probabilidade de serem capazes de impedir as variantes do vírus que possam surgir.

Para o estudo, a Dra. Presti e seus colegas recrutaram 41 pessoas, sendo que no grupo havia oito com histórico de infecção pelo coronavírus, que foram imunizadas com duas doses da vacina Pfizer. A equipe coletou amostras dos gânglios linfáticos de 14 dessas pessoas três, quatro, cinco, sete e quinze semanas após a primeira dose para que pudessem analisar a evolução da resposta imunológica. Os pesquisadores descobriram que 15 semanas após a primeira dose, o centro germinativo ainda estava muito ativo em todos os 14 participantes e que o número de células de memória que reconheceram o coronavírus não diminuiu.

As descobertas são animadoras e aumentam as evidências de que pessoas recuperadas da COVID-19 antes de serem vacinadas com imunizantes que usam a tecnologia do RNA mensageiro também podem não precisar de reforços. “Descobrimos que os anticorpos fortemente reativos são produzidos em resposta à vacinação e parece haver benefício adicional em pessoas que tiveram infecção anterior com SARS-CoV-2. Também observamos que os nódulos linfáticos em pessoas que não haviam sido infectadas antes da vacinação demonstrou a presença de centros germinativos que produzem respostas de anticorpos específicas que continuaram por pelo menos 12 semanas após a vacinação”, complementa a Dra. Presti. O fato de as reações terem continuado por quase quatro meses após a vacinação é um bom sinal, uma vez que os centros germinativos geralmente atingem o pico uma a duas semanas após a imunização e, em seguida, diminuem.

A Dra. Presti ressalta que este estudo foi feito em pessoas saudáveis que receberam a vacina Pfizer, por ser a vacina disponível inicialmente. As biópsias dos linfonodos foram feitas em pessoas que não haviam sido infectadas anteriormente, mas os estudos de sangue foram feitos em pessoas com infecção anterior e pessoas que não haviam sido infectadas. Ainda segundo a professora, houve boas respostas de anticorpos em ambas as populações, embora potencialmente um pouco mais altas naquelas com infecção anterior.

Mas será que a imunidade ao vírus pode durar toda a vida para aqueles que receberam a vacina Pfizer após contrair o vírus? A Dra. Presti é categórica ao dizer que o objetivo da imunidade é desenvolver proteção vitalícia contra uma infecção, mas atualmente não há dados sobre o desenvolvimento de células B de memória. “Acreditamos que isso é promissor, mas não saberemos até que realmente tenhamos dados clínicos de longo prazo sobre proteção. Isso é verdade para muitas vacinas – vemos a proteção inicial e depois acompanhamos as pessoas. Se notarmos diminuição da proteção/imunidade e aumento da doença, isso indica que será necessário um reforço. Até agora, não estamos vendo essa necessidade. Essas respostas à vacina são muito promissoras”, comemora a coautora do estudo. Os pesquisadores reforçam que, se novas variantes continuarem surgindo, vai ser mais difícil para as vacinas se manterem eficazes, então para evitar isso é necessário vacinar a população o mais rápido possível.

A Dra. Presti e sua equipe não puderam dizer se pessoas que já foram infectadas e pessoas que não tiveram contato com o vírus estão igualmente protegidos após a vacinação. “Este estudo foi realizado apenas para a vacina Pfizer. Não há dados comparáveis para Moderna para dizer que isso é generalizável para todas as vacinas de mRNA ou para vacinas de vetor viral (como Janssen ou AstraZeneca) ou para vacinas de proteína (como Novavax). Pode ser que a resposta germinativa longa seja porque este é um novo antígeno viral que o corpo está desenvolvendo uma nova resposta imunológica”, assinala. O estudo também não lança luz sobre a eficácia da vacina contra a variante Delta do coronavírus, que é mais transmissível do que as outras variantes.