Congresso Medtrop começa no Recife

Publicação: 23 de agosto de 2018

Evento, promovido pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, reunirá mais de três mil pesquisadores, de 2 a 5 de setembro, no Centro de Convenções em Pernambuco

O Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop) reunirá, de 2 a 5 de setembro, mais de três mil especialistas do Brasil e exterior no Centro de Convenções de Pernambuco. Com o tema “Doenças transmissíveis, predição e desafios para o enfrentamento de novas e velhas epidemias”, o evento é conhecido por pautar muitas das discussões e direcionamentos a serem tomadas na saúde pública com relação a doenças negligenciadas e emergentes, especialmente as arboviroses.

A 54ª edição do congresso retorna ao Recife, que recebeu o evento pela última vez em 2009, oferecendo uma oportunidade para a comunidade científica e de saúde pública do País e de todo o Nordeste analisar grandes temas, na perspectiva do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e do Medtrop, Sinval Pinto Brandão Filho (PhD).

“O País tem vivenciado nos últimos anos o surgimento de novas epidemias e, por isso, é fundamental a discussão de temas como as epidemias de arboviroses, como zika e chikungunya, com elevada incidência  no  Nordeste, e casos de microcefalia  associados; o recrudescimento da malária, na região endêmica da Amazônia, e da febre amarela silvestre e ainda o ressurgimento do sarampo e da poliomielite”, disse Brandão Filho, pesquisador doutor da Fiocruz.

O Medtrop2018 contará com uma programação extensa de 42 mesas-redondas, 21 palestras ou miniconferências e 11 conferências magnas. Antes do evento, serão realizados minicursos, oficinas e um fórum sobre doenças negligenciadas. Ao longo do congresso, acontecerão ainda quatro reuniões internacionais simultâneas sobre doença de Chagas e leishmanioses, malária, vetores de doenças tropicais e workshop da Rede Brasileira de Pesquisa de Tuberculose. Os temas serão apresentados por 450 convidados, sendo 30 deles de outros países.

Na hora do almoço, os participantes do 54ª Medtrop (medtrop2018) terão uma novidade na edição: o Cine Medtrop, no Teatro Guararapes. Com documentários biográficos sobre figuras importantes da área da medicina tropical e de pesquisa, a sessão de cinema exibirá ainda o filme “TB: O Retorno da Epidemia”, sobre o trabalho da ONG Médicos Sem Fronteiras, produzido para BBC, seguido de debate. A programação cultural conta ainda com um Bailinho de Carnaval, na terça-feira (4), com Silvana Salazar e As Sambadeiras, no Espaço Ancorar, no Catamaran Tours, no Cais de Santa Rita, no Recife.

O Medtrop2018 também será palco de várias premiações, que serão entregues na cerimônia de abertura, no dia 2, às 19 h, no Teatro Guararapes. Além da Medalha Mérito Científico Carlos Chagas, para pesquisador sênior da SBMT, o congresso premiará comunicadores científicos com os prêmios: Jornalista Tropical (3 categorias) e NHR Brasil de Jornalismo, específico sobre matérias relacionadas à hanseníase. Os jovens acadêmicos disputarão o Prêmio Jovem Pesquisador 2018 e terão ainda outras premiações: Investigadores Jovens (Instituto Mérieux e SBMT) e um especial para estudos sobre malária, intitulado de Medalha Ruth Nussenzweig. A entrega dos prêmios será procedida de coquetel. 

FORMATO

A programação do Medtrop2018 é dividida em duas conferências pela manhã e duas ao final da tarde. Ao longo de cada dia, sete mesas-redondas serão realizadas pela manhã (de 9h40 às 11h20) e outras sete no início da tarde (14 h às 15h40), com a participação de, ao menos, três especialistas em cada uma delas. As palestras, que incluem pesquisadores internacionais, terão meia hora de duração, começando sempre às 15h50. 

Dentre os mais de quatro mil trabalhos inscritos no congresso, serão apresentados 3800, com tema livre. As apresentações acontecem durante os três dias do evento. Pela manhã, haverá espaço para apresentações, e à tarde, será utilizado o formato E-pôster, no foyer. Participantes contarão com televisores para exibir seus trabalhos. Alguns participantes atuam também como monitores do Medtrop.

Associado ao tema das doenças transmissíveis, serão discutidas, na segunda-feira à tarde, as questões de condições de vida insalubre, que interferem na transmissão das doenças: Esquistossomose, seus desafios econômicos e a falta de saneamento básico. Ao longo do dia, as mesas-redondas abordarão os seguintes temas: Desafios da convivência com a Chikungunya ; Doenças emergentes e prevenção da saúde do viajante; Estudo de Gestantes expostas ao Zika, com casos do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife; entre outras. 

No segundo dia, terça-feira (4), estarão em pauta a situação epidemiológica e o manejo clínico de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da febre amarela; análise das consequências do Zika: a contribuição das Ciências Sociais, coortes de acompanhamento três anos depois de crianças com microcefalia (PE e MA) e ensaios de uma vacina para Zika. Na parte da tarde, novas tecnologias serão apresentadas e a inovação em doenças infecciosas, bem como sua incorporação no SUS, com destaque para as avaliações econômicas sobre tuberculose e leishmaniose visceral. 

Para fechar o congresso, na quarta-feira pela manhã, os grandes temas serão o manejo da Influenza, com apresentação dos medicamentos em uso no Brasil e no exterior; e os estudos financiados pelo Ministério da Saúde para vacina da dengue, como o do Instituto Butantã, em fase de testes. A intensa programação do congresso inclui ainda as mais recentes epidemias no Brasil: febre amarela silvestre, onde estudos recentes confirmaram que sua origem está na Amazônia, e a palestra sobre o risco de febre do Nilo ocidental, com a descoberta de caso autóctone em cavalos no Espírito Santo, em 2018.

Nesta perspectiva da saúde pública, o congresso terá conferências não só de alternativas de diagnóstico e tratamento, mas também sobre os programas de controle e vigilância em saúde, no intuito de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Podemos destacar a conferência de encerramento: “Integração das doenças tropicais negligenciadas na saúde global e no desenvolvimento à luz dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, com integrantes da Organização Mundial da Saúde.

Na ocasião, os pesquisadores podem conferir ainda os eventos satélites, paralelos ao Congresso Medtrop2018, com temas sobre doença de Chagas e leishmanioses (Reunião de Pesquisa Aplicada em Chagas e Leishmaniose – ChagasLeish 2018 ), malária (Reunião Nacional de Pesquisa em Malária,) Tuberculose (Workshop da Rede de TB) e os vetores (Entomol7_SOVE Brazil). 

O workshop específico sobre vetores, o Entomol7, acontecerá simultaneamente ao congresso. A comunidade científica apresentará pesquisas e estudos voltados a vencer, entre outros desafios, o das arboviroses e demais doenças endêmicas transmitidas por mosquitos. O Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como dengue, Zika, febre chikungunya e febre amarela, ganhará destaque.

PRÉ-CONGRESSO

No período de 1º e 2 de setembro, serão realizados minicursos, oficinas e o Fórum de Doenças Negligenciadas, que acontecerão no Mar Hotel, em Boa Viagem. Os cursos do congresso, com quatro a oito horas de duração, serão ministrados por professores médicos e especialistas de instituições brasileiras e de países como Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Os temas dos 23 cursos são os seguintes: controle de doenças infecciosas e dos vetores; manejo da leishmaniose visceral e de Chagas na rede de atenção básica; tuberculose e doença de chagas, com recorte para os cuidados pediátricos. As inscrições podem ser feitas no local do evento.

SERVIÇO:

54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop) 2018. De 2 a 5 de setembro, das 8h30 às 18 h. No Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/nº, Salgadinho, Olinda) e no Mar Hotel Conventions (R. Barão de Souza Leão, Boa Viagem, Recife), além de outros locais onde serão os eventos os cursos e oficinas. Programação completa no site www.medtrop2018.com.br