“Pró-Vacinas SBMT Brasil” vai promover debate e informação que subsidiem a valorização das medidas preventivas

Publicação: 5 de junho de 2019

A maior ameaça não é o medo da vacinação, mas a ausência de medo da doença. Dados indicam que 4 a 6% dos brasileiros não acreditam em vacina. E 20% das pessoas hesitam na hora de vacinar

Perdas de confiança em vacinas e programas de imunização podem levar à relutância e recusa da vacina, arriscando surtos de doenças e desafiando metas de imunização

Nos últimos anos vem crescendo no mundo todo um movimento anti-ciência e anti-vacinas, facilitado pelo dinamismo próprio das redes sociais. Especialmente quanto ao tópico das vacinas, há enorme preocupação pelo ressurgimento ou recrudescência de doenças preveníveis pela vacinação. “Diante disto, cabe às comunidades científicas atuarem proativamente combatendo a desinformação e promovendo debates esclarecedores. Desta forma, a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) tomou esta iniciativa como contribuição aos esforços pela promoção da saúde e da vida”, destaca o professor Dr. Carlos Graeff Teixeira, do Grupo de Parasitologia Biomédica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), um dos idealizadores do projeto Pró-Vacinas SBMT Brasil.

Ainda segundo o professor, diferentes informações e notícias são rapidamente disseminadas hoje em dia através das diferentes redes sociais existentes, tais como Facebook, Twitter e Instagram. Analisar os assuntos que circulam diariamente nestas redes sociais, bem como identificar os seus influenciadores, tem sido assunto de diferentes pesquisas. “O principal objetivo do “Pró-Vacinas SBMT Brasil” é conhecer quais os argumentos e emoções contrárias às vacinas e divulgar dados concretos sobre eficácia e reações adversas das vacinas, promovendo debate e informação que subsidiem a valorização das medidas preventivas, e então gerar um material para contrapor aos argumentos’ e disseminar o conhecimento”, explica. Ao lado de ações imediatas para promover informações corretas sobre vacinas, o “Pró-Vacinas SMBT Brasil” está planejando uma investigação e acompanhamento de conteúdos contrários às vacinas em mídias sociais, com participação das professoras Isabel Manssour e Silvia Moraes (Computação e Linguagem, PUCRS) e Márcia Grisotti (Sociologia, UFSC).

Para limitar a disseminação de conteúdo antivacinas, recentemente as redes sociais começaram a tomar medidas corretivas Depois do Facebook, o Instagram passou a adotar medidas para combater a disseminação destes conteúdos através do uso da inteligência artificial. Os conteúdos antivacina buscados na barra “Pesquisar” e nas hashtags relacionadas passam a ser monitorados e ao serem detectados, mostram alertas sobre a legitimidade da informação e contatos de especialistas da saúde. O Youtube está retirando a monetização de vídeos com essa temática. O Twitter também declarou guerra contra os movimentos antivacinação. Quem procurar por assuntos que tenham relação com o tema vai receber como primeiro resultado uma aba especial com informações de fontes confiáveis — no caso do Brasil, o próprio Ministério da Saúde (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Coreia do Sul, Indonésia, Singapura, Japão e outros países da América Latina também começaram a campanha).

O “Pró-Vacinas SMBT Brasil” já conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Esperamos que outras sociedades também se juntem a iniciativa”, reforça o professor Graeff.

Parceria SBMT e Sesc

A ideia de produzir conteúdos e materiais para as mídias sociais tentando estimular a vacinação e contrapor o movimento antivacina ganha mais um aliado, o Serviço Social do Comércio (Sesc), que inclusive está iniciando um desenho de projeto dedicado ao calendário vacinal. O Sesc, atento à missão de deflagrar, em parceria com instituições públicas e privadas, iniciativas de enfrentamento às emergências em Saúde Pública, lançou em 2019 nas redes sociais e via whatsApp a campanha “Não abra mão da sua saúde por conta de um boato”, alcançando 6.159.788 pessoas em todo Brasil.

Ao reconhecer estratégias que reforçam a importância da vacinação como a principal ação de prevenção de agravos, as duas organizações trabalham agora um projeto sobre imunização a ser desenvolvido em âmbito nacional, bem como o lançamento da iniciativa “Pró-Vacinas SBMT Brasil” durante o 55º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), que será realizado em Belo Horizonte, de 28 a 31 de julho, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tanto a SBMT quanto o Sesc reconhecem que o campo da prevenção, em especial, destaca-se como uma área indispensável ao alcance dos objetivos de otimização das condições de saúde, contemplando ações de detecção e controle dos fatores de risco, requerendo a identificação e socialização de informações sobre os fatores de proteção à saúde. Contudo, a informação apenas não é suficiente para provocar a transformação de uma dada realidade.

No campo da imunização não é diferente, campanhas meramente informativas não vêm garantindo a cobertura vacinal desejada. Fazem-se necessárias atividades e ações que a partir de uma perspectiva dialógica envolvendo os diversos atores sociais, dêem luz aos diferentes motivos que contribuem para a resistência da população às campanhas de vacinação. Neste sentido, o componente educativo é fundamental.