Boletim Epidemiológico – Territorialização e vunerabilidade para doenças de Chagas crônica

Publicação: 14 de abril de 2022

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A doença de Chagas (DC) insere-se no grupo de doenças tropicais negligenciadas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde do Brasil (MS), apresentando elevada prevalência e expressiva carga de morbimortalidade, perpetuando um ciclo crítico de pobreza. Trata-se de uma condição infecciosa crônica, cuja lógica de enfrentamento aproxima-se das doenças crônicas não transmissíveis, exigindo uma resposta social adequada dos sistemas nacionais a partir de suas redes de atenção à saúde (RAS), do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na organização do SUS, a rede de atenção à saúde tem na atenção básica o espaço estratégico para controle a partir de territórios singulares, com ordenamento da assistência a outros pontos de atenção, com linhas de cuidado integral estruturadas. O reconhecimento das fragilidades do setor saúde são essenciais para o maior controle da doença e, nessa perspectiva, torna-se essencial adquirir mais conhecimento relativo a cenários epidemiológicos da DC e sua dinâmica de transmissão, envolvendo pessoas infectadas e sob risco de infecção, diferentes populações do parasito, espécies do vetor e reservatórios de Trypanosoma cruzi. Esse conhecimento integrado representa fator central para a busca de ações consistentes e sustentáveis de gestão, vigilância, controle e atenção à saúde e social, coerentes, eficazes, efetivas e eficientes.

A territorialização pode expressar também pactuação no que tange à delimitação de unidades fundamentais de referência, onde devem se estruturar as funções relacionadas ao conjunto da atenção à saúde. O processo de delineamento de arranjos espaciais, da interação dos sujeitos, organizações e recursos resulta de um movimento que estabelece as linhas e os vínculos de estruturação do campo relacional subjacente à dinâmica da realidade da DC no nível local. Essas diferentes configurações espaciais podem dar origem a diferentes padrões de interdependência entre lugares, atores, instituições, processos e fluxos, preconizados no Pacto de Gestão do SUS. Ao reconhecer, nos contextos locais, aspectos críticos relacionados às condições de vida de pessoas e famílias acometidas por DC, assim como as barreiras de diferentes naturezas para o acesso a ações integradas de vigilância, atenção e cuidado, torna-se possível verificar quais são os fatores de maior relevância para a manutenção da transmissão e as falhas para o diagnóstico recente, tratamento oportuno, manejo de complicações e reabilitação física e psicossocial.

Nesse contexto, reforça-se a necessidade de definir os limites territoriais de atuação multiprofissional, para que seus atributos, de primeiro contato com o sistema de saúde, continuidade, coordenação e integração das ações, sejam efetivados na prática, configurando uma linha de cuidado para a pessoa com DC. A saúde pública recorre à territorialização de informações, há alguns anos, como ferramenta para localização de eventos de saúde-doença, de unidades de saúde e demarcação de áreas de atuação.

A edição especial do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (Edição Abril de 2022) vem trazer uma avaliação das etapas para elaboração de um índice de vulnerabilidade para DC serviços de saúde, implicando em baixa suspeição e detecção de casos crônicos e na qualidade de vida das pessoas afetadas pela doença.

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