57º MEDTROP: eventos satélites representam oportunidade para troca de expertises e parcerias em projetos de colaboração

Publicação: 3 de novembro de 2022

Renomados pesquisadores do Brasil e do Exterior debatem temas de grande relevância em saúde nos eventos satélites realizados simultaneamente ao MEDTROP

Além dos eventos satélites, foi preparada uma intensa programação científica, com 14 cursos pré-congresso, 50 miniconferências, 72 mesas-redondas, 30 conferências, 109 temas livres para apresentação oral e 1314 apresentações de pôster e um curso pós-congresso

Assim como nas edições anteriores, o 57º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP) conta com tradicionais e importantes eventos satélites: Reunião Anual de Pesquisa Aplicada em doença de Chagas que a Reunião Anual de Pesquisa Aplicada em Leishmanioses (ChagasLeish 2022), IX Workshop Nacional da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose REDE-TB, 9º Workshop em Genética e Biologia Molecular de Insetos Vetores de Doenças Tropicais (Entomol9), 7º Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento de Doenças Infecciosas e Negligenciadas e 2° Fórum Covid-19. A participação nos eventos satélites amplia a participação do público e possibilita a integração dos grupos. Além disso, é uma oportunidade para a troca de experiências e expertises entre os participantes, que debatem possíveis parcerias em outras áreas e em projetos de colaboração. Mais uma vez, o MEDTROP consegue reunir pesquisadores do Brasil e do exterior, não só pela sua grade, mas também pelo interesse nos eventos satélites.

A presidente da REDE-TB, Dra. Ethel Maciel, explica que o intuito do Worskshop é ampliar as discussões entre pesquisadores, estudantes e profissionais envolvidos com atividades relacionadas à TB HIV/Aids, no conhecimento e saberes ao que há de mais recente na comunidade científica nos diversos campos para o enfrentamento da tuberculose. “O objetivo é contribuir com expertises e ferramentas científicas para que, juntamente, com gestores de saúde possamos gerar evidências epidemiológicas que reforcem a revisão e/ou recomendação de incorporação de novos produtos ou novas práticas do cuidado, na área de TB”, acrescenta. Ainda segundo ela, o Workshop, ao longo de suas edições tem corroborado com os diversos cenários da pesquisa em TB, tais como, População Privada de Liberdade (PPL), atenção primária, secundária e terciária (hospitais), fortalecimento dos cuidados com migrantes no Brasil, portadores de co-infecção TB/HIV, TB multirresistente, Indígenas, entre outros.

Idealizado e liderado pelo Dr. Sinval Pinto Brandão Filho, ex-presidente da SBMT e ex-diretor do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz), em parceria com colegas do IAM e pesquisadores de outras instituições do Brasil, o Entomol tem como objetivo disseminar avanços de pesquisas em insetos vetores, produzidos por grupos de referência do Brasil e do exterior, e promover discussões de alto nível científico sobre doenças tropicais de impacto na saúde pública. Este fórum aborda a genética, a biologia molecular e o controle de insetos vetores e tem como foco pesquisas em insetos envolvidos em doenças como filariose, arboviroses, malária, leishmaniose, esquistossomose e doença de Chagas. O Dr. Brandão Filho, explica que apesar da notável expansão deste campo no Brasil, o número de pesquisadores devidamente capacitados para a condução destes trabalhos ainda é restrito, o que reflete a necessidade de formação e capacitação de recursos humanos nas áreas que permeiam a chamada Entomologia Molecular. Para ele, a realização do Entomol contribui no processo de aperfeiçoamento profissional dos grupos de pesquisa atuantes nesta área do conhecimento no Brasil.

Com uma história de mais de 30 anos, o ChagasLeish se tornou referência no calendário brasileiro ao reunir pesquisadores, docentes e estudantes de diversas áreas do conhecimento. Ele representa um tradicional evento, criado em 1984 por um grupo pioneiro da Medicina Tropical brasileira, que antes era denominada Reunião de Pesquisa Aplicada a Doença de Chagas e Leishmanioses e procura responder a demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir dos programas de controle destas duas antropozoonoses, ou seja, doenças que circulam entre pessoas e animais. As reuniões envolvem gestores de saúde, organizações governamentais e não governamentais e pesquisadores nas áreas da Medicina Tropical. Uma das grandes inovações conduzidas pela Reunião Chagas Leish desde 2018 é a inclusão de pessoas fora do meio técnico científico, em especial aquelas afetadas por estas doenças. A coordenadora do ChagasLeish, Dra. Ana Yecê Pinto ressalta os importantes papéis tanto de pesquisadores da academia ou da bancada, dos trabalhadores da Vigilância Epidemiológica e da Atenção Básica das Secretarias de Saúde dos Estados e dos Municípios e de todos os níveis do Ministério da Saúde, os quais são mais uma vez vitoriosos em sua função de divulgar e inspirar a boa ciência e a filosofia SUS de universalidade no cuidado e no controle das endemias que mais vitimam as populações negligenciadas.

Reunindo lideranças de diversas organizações e movimentos sociais em prol dos direitos das pessoas e comunidades atingidas por doença de Chagas, hanseníase, leishmaniose, esquistossomose, hepatites virais, filariose linfática e tuberculose, o Fórum de Doenças Negligenciadas estabelece um espaço de representação para o enfrentamento dessas enfermidades, unindo esforços e experiências coletivas de quem vive a realidade de ser “invisível” pelas políticas públicas e pelos investimentos em pesquisas e desenvolvimento em saúde. Em sua 7ª edição, o evento foi realizado entre os dias 12 e 13 de novembro no Auditório Jean Chicre Bittar do Campus II (CCBS) da Universidade do Estado do Pará, e acolheu a participação presencial e virtual de pessoas motivadas a apoiar a causa no Brasil e no mundo. O Fórum de Doenças Negligenciadas foi criado em 2016, com ampla articulação de diversas organizações e movimentos sociais. Ao longo dos anos, tem atuado como espaço de empoderamento, articulação e visibilidade com foco na luta pelos direitos das pessoas e comunidades afetadas e/ou vivendo com doenças infecciosas e negligenciadas. O Diretor Nacional da NHR Brasil, Dr. Alexandre Menezes, ressalta que as discussões do Fórum, assim como nas edições passadas, levaram à elaboração da Carta do Fórum 2022, reunindo demandas e reivindicações dos participantes. A Carta compilou solicitações e anseios de pessoas acometidas, lideranças, movimentos, organizações e pesquisadores representados no Fórum.

Dividido em quatro eixos científicos principais (vigilância, PREPARAÇÃO E RESPOSTA, mecanismos de controle e prevenção, manejo clínico e combate a desinformação), o 2º Fórum Covid-19 trouxe não seria TRARÁ discussões para contribuir na mitigação dos efeitos pandêmicos e da doença, sejam eles em sintomas ocasionados pela infecção ou o impacto gerado no sistema de saúde e na qualidade de vida da população. Além disso, o evento realizou conferências magnas com atualizações sobre os principais avanços científicos para o entendimento da Covid-19. De acordo com os coordenadores desta 2ª edição, Dr. André Siqueira e Dr. Rodrigo Stabeli, apenas discussões qualificadas sob a luz da ciência podem trazer subsídios e soluções desdobradas em políticas públicas para combater a infecção pelo SARS-Cov-2 e todos os seus desdobramentos e doenças que possam se assemelhar. Ainda segundo eles, o Fórum é mais uma contribuição que a SBMT promove para o entendimento da doença e seus mecanismos de controle para a melhor qualidade de vida da população brasileira e para o fortalecimento do SUS.