Medtrop-Parasito 2019 abre perspectivas para integração da ciência, educação e tecnologia

Publicação: 7 de maio de 2019

Congresso remete uma resposta ao difícil cenário político-econômico institucional enfrentado no País, diante da tamanha restrição de financiamentos destinados à Ciência, Tecnologia & Inovação, assim como à saúde e à educação, em especial

A realização de eventos simultâneos, além de criar oportunidades de congregar pesquisadores de áreas correlatas, fortalece ainda mais a Ciência Brasileira e a soberania na busca de soluções para problemas críticos

Neste ano, o 55º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop) será realizado simultaneamente com o XXVI Congresso Brasileiro de Parasitologia, com a 34ª Reunião de Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas e 22ª Reunião de Pesquisa Aplicada em Leishmanioses (ChagasLeish2019) e com o 4º Fórum Social Brasileiro para Enfrentamento de Doenças Infecciosas e Negligenciadas. A programação do evento contará com 13 eixos, ou seja, 13 sessões simultâneas, algo inusitado para o MedTrop, mais o Chagas Leish, totalizando 15. Para saber mais sobre MEDTROP-PARASITO 2019, a assessoria de comunicação da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) conversou as presidentes do 55º MedTrop, Dras. Rosália Morais Torres e Walderez Dutra. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

SBMT: O tema do congresso “Convergência e inclusão: em busca de soluções sustentáveis para o diagnóstico, tratamento e controle das doenças tropicais” abre perspectivas para integração da ciência, educação e tecnologia buscando, na interdisciplinaridade, benefícios para a saúde, para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. Pode nos contar o porquê da escolha deste tema?

Dra. Rosália Morais Torres: O tema reflete os principais desafios que a ciência enfrenta nos dias atuais: a necessidade e responsabilidade de ser inclusiva, de se comprometer com a sociedade e as necessidades das pessoas, das populações negligenciadas. Os avanços e toda a tecnologia de que dispomos hoje nos levam a considerar a transdiciplinaridade como um elemento essencial para atingirmos esses objetivos. Esse congresso é transdiciplinar e inclusivo em sua essência, por agregar a Medicina Tropical e a Parasitologia.

SBMT: Quais outros temas a senhora considera que serão destaque?

Dra Walderez Dutra: O MedTrop-Parasito 2019 abordará temas tradicionalmente abordados nos dois congressos, passando por aspectos que vão desde a parasitologia básica até a atenção ao paciente. Valendo-nos da interdisciplinaridade proposta, destacamos as várias conferências envolvendo pesquisa translacional, que ilustra o valor das interações científicas para encontrar soluções para aplicação direta em favor populações afetadas. O congresso traz, ainda, em destaque, os avanços tecnológicos aplicados `a pesquisa, `a saúde, `a educação e `a divulgação científica. Questões atuais, como a influência das crises migratórias na saúde e a resistência desenvolvida por vários dos patógenos associados a doenças tropicais as terapias vigentes, terão também uma atenção especial.

SBMT: Poderia nos falar um pouco sobre a programação do evento?

Dra. Rosália Morais Torres: O fato de o congresso deste ano abraçar dois eventos simultâneos -o Congresso Brasileiro de Medicina Tropical e o Congresso Brasileiro de Parasitologia- trouxe uma diversidade inusitada, na programação, em relação aos temas e às suas abordagens. Elaborar a programação foi um desafio para as coordenações dos três eventos no sentido de buscar a sintonia e as soluções mais abrangentes e inclusivas possíveis, mantendo sempre o foco no tema central do Congresso: Convergência e inclusão: em busca de soluções sustentáveis para o diagnóstico, tratamento e controle das doenças tropicais.

A programação do evento foi construída tendo com base eixos temáticos. Dentre eles, podemos citar alguns: Política e educação; Ambiente e epidemiologia, Entomologia, Clínica, Parasitologia, Imunologia. Desta forma, dependendo do aspecto a ser tratado, um assunto pode ser abordado, em vários eixos. Por exemplo, os aspectos epidemiológicos da malária serão tratados em um eixo, os aspectos clínicos a doença serão abordados no eixo clínico e, seus vetores, em outro eixo. Esta é uma proposta diferente, a solução que encontramos para abordar o maior número possível de temas que interessassem aos dois congressos, confluindo em uma proposta única.

SBMT: Como tem sido organizar este congresso histórico (que ocorre de forma simultânea com outros grandes eventos) em um momento de crise?

Dra. Rosália Morais Torres: Tem sido ao, mesmo tempo, uma honra e um grande desafio. Sabemos que o País vive um momento de crise; o contingenciamento de recursos afetou fortemente a ciência brasileira e se refletiu em redução significativa de verbas para a pesquisa e para eventos científicos em geral. Este foi exatamente um dos principais motivos para se agregar os dois congressos: tornar ambos viáveis dentro de um contexto econômico desafiador. Nossa postura tem sido de contornar os problemas financeiros buscando todas as parcerias possíveis e soluções compatíveis com esta nova realidade.

SBMT: Como estão os preparativos finais para o Medtrop-Parasito 2019?

Dra. Rosália Morais Torres: Este é um momento importante, visto que estamos divulgando a programação do Congresso, algo que é sempre um dos maiores desafios para seus coordenadores. Estamos trabalhando com entusiasmo a divulgação do evento, pois temos convicção de que a programação está excepcional, contemplando temas científicos altamente relevantes e instigantes, sempre escolhidos à luz do tema central do congresso. Para dar oportunidade a maior número de pesquisadores, estendemos o prazo de submissão de trabalhos para até 30 de maio e esperamos, com isso, ter maior adesão de pesquisadores e número de submissões significativo.

SBMT: A senhora poderia adiantar o número de inscritos até o momento?

Dra. Rosália Morais Torres: Até o momento temos cerca de 2000 pessoas inscritas.

SBMT: Quando na assembleia da SBMT foi aprovada a realização conjunta do MedTrop 2019 com o XXVI Congresso Brasileiro de Parasitologia (Sociedade Brasileira de Parasitologia) e com a reunião de pesquisa aplicada ChagasLeish 2019, a senhora assumiu uma grande responsabilidade. A realização de eventos simultâneos, além de criar oportunidades de congregar pesquisadores de áreas correlatas, fortalece ainda mais a Ciência Brasileira e a soberania na busca de soluções para problemas críticos. Remete-se, sobretudo, a uma resposta ao difícil cenário político-econômico institucional enfrentado no País, diante da tamanha restrição de financiamentos destinados à Ciência, Tecnologia & Inovação, assim como à saúde e à educação, em especial. Todos os congressos, que manteriam as respectivas identidades e missões da sociedades participantes, se beneficiarão nesta parceria, em particular frente à organização no que se refere a aspectos logísticos para otimização de recursos, de forma a sustentar a elevada qualidade científica destes eventos. Faltando menos de dois meses para o Medtrop-Parasito 2019, qual a sua expectativa?

Dra Walderez Dutra: Reconhecemos e vivemos, neste processo de organização, o desafio de lidar com as restrições orçamentárias. Porém, de forma positiva, a associação dos eventos, inicialmente estimulada por este cenário, nos permitiu criar uma programação de fato convergente em interesses, e ao mesmo tempo diversa. Assim, os pesquisadores de ambas as sociedades poderão informar-se sobre aspectos específicos de suas áreas, mas terão, de forma muito especial, a oportunidade de participar de sessões que trazem interesses amplos. Neste sentido, nossa expectativa é a de este programa instigará futuras colaborações interdisciplinares, o que tornará mais eficiente a busca de soluções para as doenças tropicais. Em termos de participações, o MedTrop-Parasito 2019 traz um elenco de pesquisadores brasileiros e estrangeiros de altíssima qualidade, reconhecidos pela excelência em suas áreas de atuação. Por isso, nossa expectativa é de que esta excelente programação atraia uma participação significativa de toda a comunidade. Queremos que este congresso fique marcado como uma importante via de estimular colaborações e interações entre pessoas de todos o mundo.

SBMT: As senhoras gostariam de deixar uma pequena mensagem final?

Dra Walderez Dutra: Esperamos todos vocês na UFMG, em Belo Horizonte, para um grande encontro científico que será o MedTrop-Parasito 2019. Mandem seus trabalhos e venham discutir assuntos importantes com uma comunidade internacional, interdisciplinar e interessada. Será um prazer recebê-los em nossa “casa”.

Dra. Rosália Morais Torres: As montanhas e Minas e a cordialidade do povo mineiro esperam por vocês!

Confira a programação completa: https://www.medtrop-parasito2019.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=451