Febre amarela: risco de reurbanização da doença é real

Publicação: 12 de setembro de 2017

Estudo mostra possível risco de ressurgimento da transmissão urbana do vírus da febre amarela no Brasil

Pesquisa envolveu 11 populações de mosquitos transmissores da doença no Brasil e uma do Congo, local de origem do vírus

Um artigo publicado na revista internacional Scientific Reports em julho deste ano alerta para a reintrodução do vírus da febre amarela em ambiente urbano. O estudo intitulado “Potential risk of re-emergence of urban transmission of Yellow Fever virus in Brazil facilitated by competent Aedes populations” (linkar o PDF) mostrou que as populações de Aedes aegypti que hoje existem no Brasil são capazes de transmitir o vírus que circula atualmente nas áreas silvestres e, com isso, há possibilidade de reintrodução do vírus em meio urbano.

A pesquisa envolveu 11 populações de mosquitos transmissores da doença no País: Aedes aegypti, Aedes albopictus, Haemagogus leocucelaenus e Sabethes albiprivus, e uma do Congo, na África, local de origem do vírus. Os insetos foram infectados com três cepas do vírus, sendo duas que circulam atualmente no Brasil e uma na África. Rio de Janeiro, Goiânia e Manaus foram as cidades pesquisadas por serem locais em que a infecção ocorre simultaneamente em vários animais de uma mesma área geográfica, semelhante a uma epidemia em humanos. Os resultados obtidos foram surpreendentes: Rio de Janeiro apresentou maior potencial de disseminação do vírus da febre amarela em área urbana. Já as populações de mosquitos de Goiânia e de Manaus, também foram suscetíveis à transmissão da doença, mas em menor grau.

O doutor Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, que participou do estudo explica que os Aedes foram eficientes para disseminar e transmitir o vírus a partir do 14º dia após a infecção. “Também foi demonstrado que o Aedes aegypti brasileiro é suscetível a genótipos do vírus americanos e africanos. E que o Aedes albopictus no Rio de Janeiro foi muito eficiente para fornecer partículas do vírus a partir da saliva”, detalha. A pesquisa revelou ainda que os Hemagogus e Sabethes do Rio de Janeiro foram altamente competentes para transmitir cepas brasileiras e africanas do vírus.

O estudo foi realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz em parceria com o Instituto Pasteur, da França, e contou ainda com a colaboração o Instituto Evandro Chagas, do Pará.