Responsável por descoberta fundamental sobre malária é agraciada com a Medalha Clara Southmayd Ludlow

Publicação: 14 de fevereiro de 2018

Experimento da Dra. Ruth Nussenzweig com roedores marcou o ponto de partida para a prolongada busca de uma vacina. Apesar do desempenho desanimador da vacina nas primeiras décadas, ela nunca perdeu a esperança na imunização

As extraordinárias contribuições da Dra. Ruth, primeira cientista a receber a medalha Clara Southmayd Ludlow, mudaram para sempre a pesquisa de vacinas contra a malária

Ao longo da sua carreira, a Dra. Ruth Nussenzweig quebrou tabus e acumulou inúmeros prêmios. Recentemente foi agraciada com a “Clara Southmayd Ludlow Medal” , condecoração recém criada pela American Society of Tropical Medicine & Hygiene (ASTMH). A Dra. Clara Southmayd Ludlow, foi a primeira mulher que publicou extensivamente sobre a taxonomia dos mosquitos e sua ocorrência em relação à incidência de doenças transmitidas por eles, teve uma notável carreira em medicina. A Medalha reconhece homenageados por seu espírito inspirador e pioneiro, cujo trabalho representa o sucesso, apesar dos obstáculos e avanços no campo da Medicina Tropical. De acordo com as informações do American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, as extraordinárias contribuições da Dra. Ruth, a primeira cientista a receber a medalha, mudaram para sempre a pesquisa de vacinas contra a malária.

A Dra. Ruth fez trabalhos fundamentais de proteção contra malária em uma época em que se achava impossível. Em 1967, foi a primeira cientista a provar que era possível imunizar roedores contra a doença por meio da irradiação dos esporozoítos, um dos estágios de vida dos parasitas que causam a malária. Nos anos 1980, ela e o marido, Dr. Victor Nussenzweig, demonstraram que uma proteína que recobre o parasita poderia ser usada para promover uma resposta imunológica contra a doença e, assim, dar alguma proteção contra a infecção. Desde então, a proteína estudada pelo casal se tornou um componente fundamental de metade das vacinas que foram testadas em humanos contra o parasita, inclusive de uma formulação experimentada na África.

Ainda de acordo com o American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, a Dra. Ruth é descrita como focada, criativa e com uma personalidade poderosa e indomável. Entre seus muitos reconhecimentos, ela é membro da Academia Nacional de Ciências. Em 1997, foi a primeira mulher a receber a Medalha de Joseph Medin de Joseph Augustine LePrince. Durante a maior parte de sua carreira, a Dra. Ruth foi membro ativo da ASTMH, publicando mais de 250 trabalhos durante um período de 50 anos, com 24 artigos publicados no American Journal of Tropical Medicine and Hygiene.

Em 2008, a Dra. Ruth recebeu a medalha de ouro Albert B. Sabin, do Instituto Sabin de Vacina, graças a contribuições na área de imunologia e no compromisso de salvar vidas por meio de descobertas médicas. Em 2013, foi a primeira cientista brasileira a ser eleita como membro da Academia de Ciências dos Estados Unidos (NAS, na sigla em inglês), em 150 anos de história da consagrada instituição. Em 2014, ela e o marido ganharam o prêmio da Fundação Warren Alpert, dado em parceria com a Harvard Medical School. A honraria foi fruto de descobertas pioneiras em química e parasitologia e do comprometimento pessoal em traduzir essas descobertas em um quimioterápico eficaz e abordagens para controlar a malária por meio de vacina.

A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) tentou contato com a Dra. Ruth, mas por motivos de saúde ela não pode nos atender. Entretanto, seu marido, Dr. Victor Nussenzweig, fez questão de dizer algumas palavras. “A Ruth sempre acreditou na vacina contra a malária. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde e as Nações Unidas recomendaram o uso de RTS, S, nossa vacina contra a malária, em cinco países da África. Ruth e eu estamos felizes”, comemora.

Sobre a atual situação da malária no Brasil e no mundo, o Dr. Victor diz que ela não mudou. “E enquanto houver o transmissor, mosquito Anopheles, e miséria na África, não vai mudar, a não ser que a vacina seja aplicada seriamente. É o que OMS, bem como Nações Unidas recomendaram recentemente”, finaliza.