Prêmio Jovem Pesquisador: Gênero e idade estão associados à evolução das formas clínicas mais graves de leptospirose

Publicação: 4 de fevereiro de 2015

Estudo abre caminho para pesquisas futuras que expliquem, por exemplo, porque casos graves da doença são sete vezes frequentes em homens, apesar da incidência de formas assintomáticas neste gênero ser apenas duas vezes maior do que nas mulheres

O risco para infecções subclínicas alcança o pico em indivíduos de 25 a 34 anos. No entanto, aumentam com a idade as chances de ocorrerem infecções graves ou até mesmo o óbito

O risco para infecções subclínicas alcança o pico em indivíduos de 25 a 34 anos. No entanto, aumentam com a idade as chances de ocorrerem infecções graves ou até mesmo o óbito

Tanto o sexo quanto a idade influenciam o risco de infecção por leptospirose. É o que aponta a dissertação de mestrado do médico veterinário Igor Paploski. O estudo foi reconhecido com o quinto lugar no Prêmio Jovem Pesquisador 2014, durante o 50º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), que ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto, em Rio Branco, no Acre.

“A ideia surgiu a partir do fenômeno de que os homens, em idade economicamente ativa, são os que mais frequentemente desenvolvem as formas clínicas graves de leptospirose. São dados inclusive reportados na literatura. Decidimos, então, tentar investigar porque isso acontece”, explica Paploski, atualmente doutorando em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Ao todo, o estudo foi feito com a participação de 2.003 pessoas analisadas entre os anos de 2003 e 2006, em seguimentos anuais, no bairro de Pau da Lima, em Salvador, Bahia, local que apresenta diversos problemas de infraestrutura urbana, como de esgoto, fornecimento de água e coleta de lixo. “Ambiente propício à disseminação da leptospirose e bastante semelhante à realidade de diversas localidades no Brasil”, explica ao complementar que a transmissão da doença ocorre pelo contato direto com a urina dos animais infectados ou pela exposição à água contaminada.

Apesar de apenas uma parcela dos infectados desenvolverem manifestações clínicas graves que requerem hospitalização, sendo potencialmente fatais, a maior incidência desses casos ocorre em homens, segundo o estudo.

“A hipótese inicial da pesquisa era que: se os homens desenvolvem sete vezes mais formas clínicas graves do que mulheres, esperava-se que também se infectem sete vezes mais. Mas não foi isso o que percebemos. Observamos que sim, homens se infectam mais, porém apenas duas vezes mais”, pondera o pesquisador.

Ainda de acordo com Paploski, de alguma forma, a idade também está associada com uma maior progressão clínica da doença. O risco para infecções subclínicas, de acordo com o estudo, alcança o pico em indivíduos de 25 a 34 anos. No entanto, aumentam com a idade as chances de ocorrerem infecções graves ou até mesmo o óbito.

“É um estudo que demonstra um fenômeno e levanta possibilidades para pesquisas a serem produzidas mais adiante, pois exibe um acontecimento difícil de explicar porque ocorre. Acredito que a sua beleza está em jogar luz em caminhos para o futuro”, explica Paploski. Ele assegura que as sugestões obtidas na apresentação durante o 50º Medtrop servirão para aprimorar ainda mais o seu trabalho de doutorado.