Portal de doença de Chagas é relançado durante o 53º MedTrop

Publicação: 30 de agosto de 2017

Portal traz à tona dados e informações sobre Chagas, uma doença invisível. É um espaço estratégico para superar a invisibilidade dessa enfermidade, não só no Brasil como no mundo

Estima-se que cerca de 16 milhões de brasileiros, atualmente, sofrem com alguma doença negligenciada e para essas populações os desafios de acesso aos serviços de saúde e ao diagnóstico e tratamento adequados são múltiplos. Em tempos de grandes epidemias pouco tem se falado da doença de Chagas, considerada uma das doenças negligenciadas prioritárias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que existam 8 milhões de casos em todo o mundo; a maioria, na América Latina, com 10 mil mortes anuais. No Brasil, houve estima-se que existam aproximadamente 1,5 a 2 milhões de pessoas com infecção crônica. A doença de Chagas aguda, única fase da doença sob vigilância epidemiológica no Sistema Único de Saúde, tendo sido registrados 1.570 casos entre 2000 e 2013, com mais de 100 surtos desde 2005, registrados, principalmente, no Norte do País.

“Para trazer à tona informações sobre a doença, foi relançado pela Fiocruz o “Portal Doença de Chagas” (http://chagas.fiocruz.br/), um espaço estratégico para superar a invisibilidade, abrindo um espaço fértil de diálogo com a sociedade, não só no Brasil como no mundo”, ressalta o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Alberto Novaes, que coordenou a XXXII Reunião Anual de Pesquisa Aplicada em doença de Chagas, realizada durante o 53º MedTrop.

O Portal foi idealizado em 2006 pela Dra. Joseli Lannes e equipe e colocado no ar em 2007, se tornando rapidamente uma das fontes mais completas e seguras acessadas na área. Consiste em um espaço democrático, como meio para socializar informações, ações e movimentos, iniciativa integrada envolvendo inúmeras instituições de ensino e pesquisa, lideradas pela Fundação Oswaldo Cruz, com objetivo de centralizar todo o tipo de informações sobre a doença, tendo como público-alvo profissionais e estudante da área de saúde, e, sobretudo, os indivíduos afetados.

No “Portal Doença de Chagas” estão inseridas informações completas sobre os mais diversos aspectos da enfermidade, sendo ainda disponibilizadas imagens, vídeos educativos, documentários, entrevistas, material voltado para a capacitação de agentes de saúde, além material de apoio e orientações ao portador, dando ênfase ao cuidado e atenção integral.

Doença de Chagas está ainda mais letal, mas nível de mortalidade é subnotificada

Um estudo de cientistas brasileiros publicado em maio deste ano na revista Plos Neglected Tropical Diseases apresenta evidências de que a mortalidade pela doença pode ser subnotificada, mascarando o real impacto de Chagas. Os pesquisadores observam que a doença nem sempre é listada como causa de morte de pessoas que foram infectadas por Trypanossoma cruzi e morrem por problemas cardiovasculares.

53º Medtrop

A doutora Hiro Goto, coordenadora da Reunião ChagasLeish 2017, em seu discurso na cerimônia de abertura do 53º Medtrop, lembrou que em pleno século XXI, o problema dos indivíduos infectados pela doença de Chagas no passado continua. Como a infecção persiste ao longo da vida, temos milhões de pessoas infectadas que podem, a qualquer momento, desenvolver as manifestações crônicas da enfermidade, afetando sua capacidade laboral, inserção social e qualidade de vida. Apesar da existência da resposta imune a Trypanosoma cruzi, os indivíduos infectados não conseguem eliminar definitivamente o parasito do seu organismo, uma questão que, apesar de anos de estudo, ainda não há uma resposta que permita uma sugestão de intervenção terapêutica.

“Ainda em relação a esse contingente considerável de indivíduos infectados que necessitam ou vão necessitar de assistência médica que seria de média e alta complexidade, o sistema de saúde é requisitado em nível que, ainda nos dias de hoje, não consegue dar uma resposta adequada”, enfatizou.