O adeus a um ícone da Medicina Tropical que viu de perto avanços contra doenças

Publicação: 12 de December de 2018

O professor Vicente Amato Neto foi sócio fundador e Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e da Sociedade Brasileira de Imunizações

A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) lamenta imensamente o falecimento do médico e pesquisador Vicente Amato Neto ocorrido nesta quarta-feira (12), aos 91 anos. “Triste notícia, uma perda irreparável. O professor Amato foi um dos sócios fundadores da SBMT e dedicou a vida inteira com toda abnegação ao desenvolvimento de estudos pioneiros em doenças transmissíveis tropicais e em formar outros brilhantes professores pesquisadores. Seu trabalho e dedicação à SBMT foram reconhecidos por nossa entidade com a entrega da Medalha do Mérito Científico Carlos Chagas durante a cerimônia de abertura do 52º MedTrop, realizado em Maceió, em 2016”, lembra o Dr. Sinval Pinto Brandão Filho, presidente da SBMT.

Nascido em 24 de julho de 1927, em São Paulo, Vicente Amato Neto foi professor titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e esteve à frente do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo como Diretor entre 1985 e 1988. Foi superintendente do Hospital das Clínicas da FMUSP, entre 1987 e 1992, e secretário de Estado da Saúde de São Paulo, entre 1992 e 1993.

O professor foi autor de 348 artigos científicos, 22 cartas e mais de dez livros voltados para o público acadêmico, além de dois volumes autobiográficos, com o título de “Memórias Seletivas”. Sua produção intelectual na área tem como destaques a caracterização da forma aguda e da transmissão transfusional da Doença de Chagas, a caracterização clínica da toxoplasmose adquirida, aspectos diagnósticos e terapêuticos das enteroparasitoses e as imunizações. Ao longo de décadas de carreira, o pesquisador também investigou outros parasitas que ainda afligem as populações pobres do interior do País, como os causadores da leishmaniose e da esquistossomose, além de doenças infecciosas com perfil mais urbano, como a Aids e imunizações.

O professor Amato deixa esposa, Sra. Miriam Sabbaga Amato, os filhos Vicente e Valdir, este último Professor Associado do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP, nora Patrícia e o neto Vicentinho.