Novos medicamentos para hepatite C devem ser disponibilizados pelo SUS até julho

Publicação: 14 de abril de 2015

Segundo o diretor de departamento do Ministério da Saúde, até o início do ano que vem, também pode ser incorporado ao sistema um medicamento para prevenção do HIV

Quando o tratamento for liberado pelo SUS, a meta é atender entre 60 e 90 mil pacientes em dois anos

Quando o tratamento for liberado pelo SUS, a meta é atender entre 60 e 90 mil pacientes em dois anos

Com a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no final de março, do registro do medicamento sofosbuvir, está próxima a disponibilização de um tratamento mais eficaz e rápido contra a hepatite C, no Brasil. De acordo com o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Dr. Fábio Mesquita , o tratamento completo – que engloba mais outros dois remédios – deve ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até julho deste ano.

“Após o registro pela Anvisa, agora só falta a aprovação do sofosbuvir pela Comissão de Incorporação Tecnológica do SUS (Comitec), e isso deve ocorrer entre abril e maio. Temos a expectativa que os medicamentos estarão disponíveis pelo SUS em junho, no máximo em julho”, afirma o diretor.

Em 2015, a Agência já havia aprovado o registro do daclatasvir – em janeiro –, e do simeprevir – em março. O Brasil será um dos primeiros países a adotar as novas tecnologias na rede pública de saúde.

O sofosbuvir, que tem o nome comercial Sovaldi, é de via oral e, juntamente com os outros dois medicamentos, pode curar eficazmente a hepatite C em 90% dos pacientes e evitar efeitos colaterais como cansaço e dores articulares. Além disso, pode dispensar o uso de injeções de interferon, beneficiando principalmente os pacientes que não toleram essa medicação e reduzindo de um ano para três meses o tempo necessário de tratamento.

Questionado se há possibilidade de medicamentos genéricos, o Dr. Fábio explica que empresas da Índia, China e até do Brasil poderão vir a produzi-los futuramente. No entanto, como esses produtos são recentes, ainda não há iniciativas nesse sentido.

Os produtos são tão novos que ainda estão em processo de análise de patentes. “Mas como são muito eficientes e negiciamos um excelente preço, não conseguimos esperar até saírem as patentes. Então, vamos colocá-los no SUS e, mais para frente, vemos o que vai acontecer em relação a isso”, esclarece o diretor do Ministério da Saúde.

Dr. Fábio explica que quem já está em tratamento para a hepatite C não deverá interrompê-lo. “O combinado no protocolo e o que é mais seguro de se fazer é que pacientes vão até o final do tratamento atual e, se houver falha, aí sim incluimos nesse método novo. Isso porque 50% deles vão se beneficiar do tratamento atual, ajudando, posteriormente, a cuidar dos outros 50% que não tiverem êxito”, aponta.

Quando o tratamento for liberado pelo SUS, a meta é atender entre 60 e 90 mil pacientes em dois anos. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que entre 1,4 a 1,7 milhão de pessoas estejam infectadas pelo vírus, sendo a maior parte na faixa etária dos 45 anos ou mais.

A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV). A transmissão ocorre, dentre outras formas, por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de material para preparo e uso de drogas, objetos de higiene pessoal – como lâminas de barbear e alicates de unha –, além de outros objetos contaminados com o vírus utilizados na confecção de tatuagem e colocação de piercings. Há também transmissão vertical (de mãe para filho) e sexual. Como a doença é silenciosa e apresenta sintomas em fases avançadas, muitos dos infectados desconhecem o diagnóstico.

Medicamento preventivo para HIV

O Brasil também deve se tornar pioneiro também ao combate ao HIV. Caso sejam bem-sucedidos dois estudos em andamento que avaliam a aceitabilidade da população brasileira ao remédio de consumo diário chamado Truvada, que serve para a prevenção ao vírus, o medicamento poderá ser disponibilizado pelo SUS em 2016.

A estratégia – conhecida como PrEP – é uma iniciativa adotada atualmente nos Estados Unidos, mas o medicamento só é disponibilizado pelas empresas seguradoras de saúde, não pelo governo. “O Brasil pode se tornar o primeiro país do mundo a oferecer medicamento de PrEP pela rede de saúde pública”, destaca o Dr. Fábio. Ainda de acordo com ele, a expectativa é que as pesquisas no País sejam concluídas ainda este ano.

Apesar de ser preventivo, especialistas alertam que o PrEP não é um substituto da camisinha, mas uma alternativa a quem não consegue usar preservativo. Por aqui, os estudos são conduzidos pelo PrEP Brasil. O objetivo é analisar o uso de Truvada por 500 homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e mulheres transexuais com risco de adquirir a infecção pelo HIV. Cada participante será avaliado no período de um ano por uma equipe especializada de médicos, enfermeiros e psicólogos durante todas as visitas do estudo. Ao todo, cerca de 100 profissionais estão envolvidos em dois locais em São Paulo (USP e CRT DST-Aids) e um no Rio de Janeiro (Fiocruz).