Mesmo com vacina, vetor da dengue continua sendo o maior problema

Publicação: 5 de junho de 2015

Dr. Dalcy Albuquerque alerta que ações de combate ao mosquito Aedes aegypti são as mais favoráveis para conter epidemias de dengue, chikungunya e zika vírus

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Existe a possibilidade de termos uma epidemia pelo zika, muitas pessoas podem estar infectadas, pois o Aedes é um vetor que está muito disseminado pelo Brasil

Uma vacina contra a dengue, produzida pela Sanofi Pasteur e que deve estar disponível a partir de 2016, é uma das soluções mais aguardadas pela comunidade médica brasileira. Novidades sobre o produto devem ser divulgadas durante a 51º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop/SBMT), que ocorre entre os dias 14 e 17 de junho, em Fortaleza, no Ceará. O infectologista Dr. Dalcy Albuquerque Filho reconhece a importância do produto, mas alerta para a necessidade de manter o foco no combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.

“Acredito que, com a vacina, vamos conseguir resolver uma parte do problema da dengue, mas não do Aedes – que continua sendo o maior problema”, lembra o especialista, que é o representante da SBMT no Distrito Federal. A importância das ações, segundo ele, é ainda maior porque o mosquito também transmite outras enfermidades como a chikungunya e o recém-chegado zika vírus.

De acordo com o Dr. Albuquerque, é fundamental reforçar a atenção nas políticas preventivas como os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor. “É preciso procurar fazer a prevenção de dengue dentro de casa contra o inseto. Fazendo isso, estaremos controlando também as demais doenças”, esclarece. Além disso, ele considera importantes as pesquisas sobre tecnologia que pode impedir mosquitos de transmitir dengue.

A chegada da vacina, no entanto, é comemorada pelo médico. A solução da empresa farmacêutica tem eficácia entre 40% e 60% de proteção contra a dengue, dependendo do subtipo da doença. A segunda fase dos testes no Brasil já está em andamento . “Se pelo menos reduzir o número de casos, já é algum fundamental no aspecto de saúde pública”, ressalta.

No final de maio, o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Renato Alencar Porto, afirmou que o Brasil pode ser o primeiro País do mundo a registrar uma vacina da Sanofi. A novidade pode ocorrer até o fim do ano.

Zika vírus

Sobre o zika vírus no País, o Dr. Albuquerque admite que há possibilidade de haver uma epidemia da enfermidade, que causa vermelhidão e coceira pelo corpo. “Como é uma doença transmitida pelo Aedes e o mosquito é um vetor que está muito disseminado pelo Brasil, existe sim a possibilidade de termos uma epidemia pelo zika. Muitas pessoas podem estar infectadas com o vírus e nem têm sintomas”, diz.

O zika tem um quadro clínico mais brando do que a dengue e o chikungunya e só cerca de uma em cada cinco pessoas infectadas desenvolve a doença. Além de não haver registro de mortes relacionadas à enfermidade, a evolução é benigna e os sintomas – que incluem também dores articulares e febre baixa – geralmente desaparecem entre três e sete dias.

Os primeiros casos no Brasil foram identificados no Nordeste, em maio deste ano, segundo o Ministério da Saúde. Apesar de a região concentrar a quase totalidade dos registros clínicos, já houve identificações do vírus em São Paulo, no município de Sumaré.…