ISOPS 8: Autores latino-americanos são maioria entre trabalhos selecionados

Publicação: 7 de outubro de 2014

Além do simpósio internacional, setembro teve ainda a realização do seminário “20 anos de ciência, tecnologia e inovação em saúde no Brasil”

ISOPS 8

Como já vem ocorrendo em outros eventos de grande porte, a medicina tropical mostra novamente a relevância do país em relação às pesquisas focadas nas doenças infecciosas

Pela quarta vez sendo realizado na América do Sul, a oitava edição do International Symposium on Phlebotomine Sandflies (ISOPS, sigla em inglês), que ocorreu entre os dias 22 e 25 de setembro, em Puerto Iguazú, na Argentina, reuniu 270 pesquisadores de 37 países nas Américas, África, Ásia e Europa. O evento é um dos principais encontros internacionais na área das leishmanioses, reunindo a comunidade científica que desenvolve estudos sobre flebotomíneos – insetos responsáveis pela transmissão da doença.

A importância do Brasil no encontro pôde ser mensurada a partir dos trabalhos selecionados para o ISOPS deste ano. Das 249 obras apresentadas, 96 tiveram cientistas nacionais entre os autores – das quais 10 apresentações orais e 86 pôsteres. O segundo país com mais representantes foi a Argentina, com uma exposição oral e 24 pôsteres. Como já vem ocorrendo em outros eventos de grande porte, a medicina tupiniquim mostra novamente a relevância do país em relação às pesquisas focadas nas doenças tropicais.

Um dos estudos apresentados analisou diversos espécimes de flebotomíneos para detectar possíveis vetores de leishmanioses na região Nordeste do Brasil. Os cientistas fizeram exames específicos de reação em cadeia pela polimerase (PCR, em inglês) para o gênero Leishmania e apontou resultados positivos, principalmente para as espécies L. Migonei e L. complexa, o que corresponde a uma taxa mínima de infecção de 2,3% (14/600). Entre os autores do estudo está o Dr. Sinval Pinto Brandão Filho, que faz parte da diretoria e representou a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) no evento.

A primeira edição do ISOPS ocorreu em 1991, em Roma, sendo realizado, desde então, uma edição na Europa e outra nas Américas. O próximo encontro será na França. O evento discute os diversos cenários biológicos e epidemiológicos com o objetivo de reduzir o impacto das doenças transmitidas pelos flebotomíneos no mundo. Um dos focos é a incorporação de novas tecnologias que contribuem para a correta identificação do vetor para definir o alvo de intervenções.

Ciência a favor dos brasileiros

Outro importante evento em setembro foi o seminário “20 anos de ciência, tecnologia e inovação em saúde no Brasil”, que ocorreu entre os dias 18 e 19 na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), no Rio de Janeiro. Nele foram discutidos quatro grandes temas, como os 20 anos do evento, as perspectivas do complexo econômico-industrial da saúde no Brasil e os preparativos para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, que vai ocorrer em 2015, no Distrito Federal.

Na abertura do seminário, o presidente da SBMT, Dr. Mitermayer Galvão dos Reis, colocou a preocupação da transição demográfica do País e o risco do ressurgimento de emergências de enfermidades endêmicas, como a doença de Chagas. “Convido a todos a ver na Medicina Tropical a possibilidade de inovação. Estamos preparados para o desafio”, disse. Ele citou ainda a criação de um teste diagnóstico rápido e portátil para a leptospirose, desenvolvido por pesquisadores brasileiros ligados à SBMT e que já conta com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O presidente da Fiocruz Rio de Janeiro, Dr. Paulo Gadelha, lembrou que o evento ocorreu em um momento importante para o País, tanto pelo período eleitoral quanto pela preparação da próxima Conferência Nacional de Saúde, onde será formulada uma nova política nacional da área. “A Fiocruz aprovou em seu último congresso interno uma carta política  que expressa de maneira sintética o que consideramos central para o Brasil na perspectiva da saúde, ciência e tecnologia. A partir de uma melhor condução da área de saúde, poderemos fazer a sinergia entre direito, políticas sociais e desenvolvimento produtivo, que tanto interessa a população brasileira”, explicou.…