Impacto da malária em gestantes vence Prêmio Jovem Pesquisador

Publicação: 11 de setembro de 2014

Dados preliminares apontam que pacientes infectadas com Plasmodium vivax apresentaram o maior número de abortos e partos prematuros

Matéria Jovem Pesquisador

Devido à influência da doença no desenvolvimento do feto, a pesquisadora acredita que é fundamental um acompanhamento diferenciado das gestantes infectadas

Um trabalho sobre os efeitos que os tipos de Plasmodium – protozoários que causam a malária – têm sobre as mulheres grávidas na Amazônia foi o grande vencedor do Prêmio Jovem Pesquisador 2014. O reconhecimento do trabalho da doutoranda em Ciências Biológicas pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), Jamille Dombrowski , foi dado durante o 50º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP), que ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto, em Rio Branco (AC). “Apesar de estudar em São Paulo, focar na pesquisa de uma doença da minha terra me fascinou”, garante Dombrowski, que mora há quase dois anos no município de Cruzeiro do Sul (AC) para acompanhar de perto as grávidas que participam do estudo.

Os Plasmodium são transmitidos através da picada do mosquito fêmea do gênero Anopheles. A pesquisa leva em conta os tipos mais comuns no Brasil: os Plasmodium falciparum e vivax. As principais consequências em gestantes são anemia materna, restrição de crescimento do feto no útero, parto prematuro, baixo peso ao nascer e até mesmo a morte do bebê.

Das gestantes observadas, as infectadas pela espécie P. falciparum tiveram bebês com menor perímetro cefálico do que os recém-nascidos gerados por mulheres que não contraíram a doença. Já as com P.vivax apresentaram o maior número de abortos e partos prematuros. “Tais verificações, mesmo sendo preliminares, chamam muito a atenção, especialmente nas pacientes com vivax. Essa espécie era conhecida por ser benigna”, destacou Dombrowski.

Devido à influência da doença no desenvolvimento do feto, a pesquisadora acredita que é fundamental um acompanhamento diferenciado das gestantes infectadas. “Estamos em plena coleta de dados, que serão encerrados em outubro, mas já analisamos novas perspectivas, principalmente na questão de diagnóstico e tratamento”, explica. São realizadas pelo menos três visitas domiciliares às grávidas com malária, além de encontros quinzenais após cada episódio da doença.

A ideia é tentar melhorar o fluxo de acompanhamento das grávidas com malária no serviço de saúde. “As gestantes acompanhadas, que chegam a apresentar até seis episódios da enfermidade durante a gravidez, aceitam mais o tratamento a partir do melhor manejo por parte dos profissionais. Queremos aperfeiçoar o serviço para ter resultados mais positivos durante o pré-natal e no pós-parto”, garante a profissional, formada em enfermagem pela Universidade Federal do Acre (UfAC).

O tratamento para malária por P. vivax é à base de cloroquina e está sendo administrado com cautela, especialmente nos três primeiros meses de gestação – quando os abortos são mais frequentes. Ao todo, a pesquisa conta com a participação de 600 grávidas que moram em cinco municípios do Acre: Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. O trabalho está em andamento e tem duração de 20 meses.

De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 207 milhões de novos casos e 627 mil mortes em 2012 em decorrência da doença, a maioria na África. No Brasil, mais de 300 mil pessoas sofrem da moléstia todo ano, sendo que a maioria (mais de 95%) vive na região Norte, mais precisamente na área da Amazônia Legal.

Prêmio Jovem Pesquisador

Os presidentes da SBMT, Dr. Mitermayer Galvão dos Reis, do Congresso, Dr. Thor Dantas e o da Comissão, Dr. Júlio Croda, reconheceram a excelência da qualidade dos 14 trabalhos selecionados na primeira fase e dos cinco finalistas. Para eles, o Prêmio prestigia os estudantes de graduação e de pós-graduação, e deve estimular a formação de novos tropicalistas. “A expectativa da comissão do 51º Congresso, que será realizado em Fortaleza (CE), entre 14 e 17 de junho de 2015, é que a próxima edição do Prêmio possa atrair um número ainda maior de jovens pesquisadores.