Em complemento à matéria “Programas sociais têm um impacto benéfico na saúde das crianças”, Dr. Bruno Ottoni diz

Publicação: 9 de julho de 2018

Em nenhum momento defendi (e nem defendo) uma redução nos gastos com saúde. Meus colegas (ditos economistas ortodoxos), pelo que sei, também não defendem a redução dos gastos com saúde. O que esses economistas (ditos ortodoxos) defendem é a construção de um estado que caiba no orçamento (como esse estado será construído é uma decisão da sociedade). Para fazer o estado caber no orçamento muitos economistas (ditos ortodoxos) têm sugerido uma reforma da previdência. A reforma defendida pelos economistas (ditos ortodoxos) inclusive atuaria na direção de diminuir as desigualdades existentes no Brasil (visto que seria mais dura sobre os grupos que têm maiores pensões como os funcionários públicos e os políticos). A sociedade pode aceitar ou discordar dessa proposta. Falta no entanto que a sociedade, em geral, e que os economistas contrários a reforma da previdência, em particular (os ditos economistas heterodoxos), proponham algo no lugar. Ou seja, como podemos fazer para que o estado brasileiro caiba dentro do orçamento? Essa é uma resposta que está faltando no debate. Acredito que falta um pouco de realismo aos economistas heterodoxos. As contra-propostas são sempre na direção de mais gastos. Porém, o estado brasileiro está quebrado. Como fazer? Gostaria de ouvir argumentos mais sólidos por parte dos opositores.

Bruno Ottoni
Centro de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea