Ebola: após 40 anos, finalmente temos uma vacina eficaz contra a doença

Publicação: 11 de fevereiro de 2017

Segundo a OMS, a epidemia na África Ocidental, causou a morte de mais de 11,3 mil pessoas, entre 2013 e 2016

Outra vacina está sendo desenvolvida para oferecer proteção contra a cepa do Sudão, diferente da chamada Zaire, presente na África Ocidental

Outra vacina está sendo desenvolvida para oferecer proteção contra a cepa do Sudão, diferente da chamada Zaire, presente na África Ocidental

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que os testes finais da vacina experimental contra o Ebola mostraram que o novo medicamento fornece alta proteção contra o vírus. Nenhum caso da doença foi registrado entre as cerca de seis mil pessoas que receberam a vacina na Guiné em 2016, contra os 23 casos em pessoas não vacinadas. A vacina, rVSV-ZEBOV, tem eficácia de 100% nos dez dias posteriores à administração de uma dose por injeção intramuscular em uma pessoa não infectada, mas em contato com doentes. Para o presidente da organização humanitária internacional Médicos Sem-Fronteiras Bélgica, doutor Bertrand Draguez, esta vacina será uma ferramenta poderosa para ajudar a prevenir a propagação da variedade do Ebola do Zaire e para proteger os funcionários da saúde. “Vamos tentar fazer uso dela em qualquer futuro surto da doença. Entretanto, ainda são necessárias mais pesquisas para determinar o quão duradoura será a proteção oferecida às pessoas e sobre vacinas para outras variedades do vírus”, acrescentou ao ressaltar que é preciso avançar no melhoramento do atendimento de pacientes infectados para garantir que mais vidas sejam salvas.

Por se tratar de uma doença que afeta países e pessoas mais pobres será que houve falta de incentivo para uma vacina eficaz?

Ao longo dos últimos anos, o MSF fez apelos por pesquisa inúmeras vezes. Em setembro de 2014, a Presidente Internacional da organização, a doutora Joanne Liu, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, assinalou a importância de os líderes mundiais garantirem que as promessas se traduzissem em ação efetiva no combate à epidemia. Em maio de 2016, na reunião de líderes do G7, o Dr. Greg Elder, coordenador médico da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF, clamou por ação urgente voltada para respostas de emergência a questões de saúde pública. “Todos os dias em nossos projetos, vemos as consequências enfrentadas pelas pessoas devido ao alto preço dos medicamentos ou ao fato de que tratamentos de que precisam simplesmente não existem”, lamentou ao reforçar que o Ebola é outro exemplo gritante, no qual vacinas e tratamentos não existiam para combater a doença que estava fugindo do controle. “Esses exemplos refletem uma urgente necessidade de mudar a maneira como a pesquisa farmacêutica é conduzida para que a pesquisa seja orientada de forma a atender às necessidades de saúde essenciais e para que as pessoas possam ter acesso a medicamentos necessários a um preço factível”, completou.

Os direitos de comercialização da rVSV-ZEBOV foram comprados pela empresa americana Merck, e em caso de epidemia de Ebola antes da comercialização da vacina, 300 mil doses de urgência podem ser fornecidas para controlá-la, graças a um acordo entre a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi) e a Merck. A expectativa é que o medicamento seja submetido para licenciamento ainda em 2017. Essa é a primeira vacina testada com tal eficácia no terreno, mas outras serão necessárias, especialmente para proteger os trabalhadores sanitários, garantindo uma proteção de longa duração. Muitas estão em desenvolvimento. Ainda segundo a OMS, outra vacina está sendo desenvolvida para oferecer proteção contra a cepa do Sudão, diferente da chamada Zaire, presente na África Ocidental.