Desconhecimento dos viajantes sobre a exigência da vacinação contra febre amarela é uma realidade

Publicação: 8 de março de 2017

Doutora Tânia Chaves chama atenção, especialmente neste momento em que vivemos o maior surto de febre amarela, para que os viajantes nacionais ou domésticos, não se esqueçam de tomar cuidados com medidas de prevenção disponibilizadas gratuitamente em nosso sistema de saúde

O grande temor é que a FA reurbanize em razão das elevadas taxas de densidade do vetor urbano da doença, Aedes aegypti, e que transmite outras doenças como: dengue, CHIKV e Zika vírus

O grande temor é que a FA reurbanize em razão das elevadas taxas de densidade do vetor urbano da doença, Aedes aegypti, e que transmite outras doenças como: dengue, CHIKV e Zika vírus

Dependendo do destino da viagem é preciso tomar alguns cuidados sobre os riscos de adoecer e algumas medidas devem ser previstas com antecedência como, por exemplo, a vacina contra febre amarela que é obrigatória para o ingresso em alguns países e deve ser tomada pelo menos dez dias antes da viagem. E como o Brasil vem registrando a maior epidemia da doença, dos últimos 70 anos, há também alguns estados brasileiros onde ocorre transmissão do vírus, portanto, o viajante deve estar imunizado. A médica infectologista, Professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisadora do Instituto Evandro Chagas, doutora Tânia Chaves, comenta que o desconhecimento dos viajantes sobre a exigência da vacinação contra febre amarela em alguns países é observado claramente na prática diária dos ambulatórios dos viajantes. “Um aspecto interessante é que este fato é observado mesmo entre os viajantes com destino doméstico Na grande maioria das vezes o viajante procura o ambulatório somente para a vacina da FA, porque foi informado de que só embarcará se estiver vacinado para doença, pois a vacina é exigida para entrar no país de destino”, destaca.

De acordo com a especialista, o que pode dificultar o acesso do viajante à vacinação é o pensamento de que vacina é só para criança, quando na verdade é para todas as faixas etárias independente de viajar ou não. Outro aspecto é a necessidade de intensificação da informação nos locais de maior fluxo de pessoas, especialmente nos períodos de férias, aeroportos, rodoviárias, terminais hidroviários, regiões de fronteiras em todo o País. “Neste momento a informação deve ser intensificada aos viajantes domésticos que se deslocam para áreas de risco sem conhecimento sobre a necessidade de vacinação contra FA, apesar das mídias trazerem o surto diariamente às discussões e as informações constarem nos sites oficiais de saúde pública”, destaca ao complementar que falta aos viajantes acesso fácil de onde encontrar as informações. “Elas existem, mas estão alocadas em diferentes sítios de informação e isto dificulta o acesso. Doutora Tânia argumenta que as informações sobre as recomendações gerais sobre os cuidados a serem tomados antes de viajar, durante e após as viagens poderiam ser disponibilizadas em um site específico para a população. “Entretanto, iniciativas como estas não eliminam a possibilidade de importação e exportação de doenças a partir de viajantes, que representam uma população sentinela para agravos com repercussão em saúde pública, a exemplo do que vivemos com a introdução do vírus da Febre de Chikungunya e do Zika vírus, e outros, como o da gripe AH1N1, sarampo etc. São as doenças infecciosas e tropicais desafiando o mundo globalizado”, reconhece.

Então fica a dica: Quem for viajar para desfrutar das férias ou a trabalho para regiões dentro do país* ou fora (África ou América do Sul), a opção é a vacinação contra a febre amarela na rede pública de saúde para as pessoas que viajam para regiões de risco para a doença. O último surto enfrentado no País foi observado nos anos de 2008, 2009, nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, em que foi estabelecida a vacinação de rotina nesses estados, e quando o Ministério da Saúde adotou o Brasil como duas áreas sobre a recomendação da vacina: uma que vacina e outra que não vacina. A recomendação é que antes da viagem o viajante se informe se na sua cidade existe serviço de atenção à saúde do viajante, onde o mesmo receberá as informações adequadas sobre as medidas de prevenção incluindo as recomendações sobre a vacinação contra febre amarela. O grande temor é que a FA reurbanize em razão das elevadas taxas de densidade do vetor urbano da doença, e que transmite outras doenças como: dengue, CHIKV e Zika vírus: que é o Aedes aegypti.

*Distribuição dos casos de febre amarela no Brasil-2017

casos-confirmados

Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/27739-espirito-santo-ira-receber-mais-1-milhao-de-doses-extras-da-vacina 

 

Mapa das áreas com recomendação de vacinação neste momento

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Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/27620-febre-amarela-estados-atualizam-casos-registrados