Brasil conclui etapa de estudo sobre tratamento mais eficiente para malária

Publicação: 5 de junho de 2015

Resultados da pesquisa sobre tafenoquina só devem ser divulgados após a conclusão dos ensaios nos demais países envolvidos

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Doutores Marcus Lacerda e André Siqueira representaram a SBMT na 5ª Conferência Internacional de Pesquisa sobre Plasmodium Vivax, que ocorreu na Indonésia, em maio

Os resultados de uma nova opção para o tratamento da malária causada pelo Plasmodium vivax deve estar disponível aos pacientes até 2017. Trata-se da tafenoquina, medicamento administrado em dose única que pode mudar o paradigma de enfrentamento à doença. O estudo da droga, praticado há mais de uma década, já está em fase final e é feito atualmente no Bangladesh, Peru, Tailândia e Brasil. Por aqui, a fase de recrutamento foi concluída e agora está sendo realizado o acompanhamento dos pacientes.

“Drogas em fase final de desenvolvimento, como a tafenoquina, são uma esperança para a eliminação desse tipo de malária, porque se trata de uma cura radical com apenas um comprimido. Isso facilita muito o tratamento por parte do paciente, que hoje deve tomar sete dias de medicações”, explica o responsável pela pesquisa no Brasil, Dr. Marcus Lacerda, pela Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-HVD). Atualmente o tratamento da malária é com a terapia combinada de dois remédios: cloroquina e a primaquina.

A terceira fase de um estudo clínico é a última etapa antes do registro e autorização para comercializar um produto farmacêutico – existe ainda a quarta etapa, executado quando a droga já está no mercado. Cerca de 200 pacientes participam desta etapa da análise da tafenoquina, no Brasil. Ao todo o tratamento é administrado em três a sete dias, seguido de seis meses de acompanhamento clínico desses pacientes para avaliação da resposta clínica.

O ensaio é conduzido pela ONG Medicines for Malaria Venture (MMV) e a empresa GlaxoSmithKline (GSK), financiadas pela Fundação Bill & Melinda Gates.

Na região Amazônica, o parasita P. vivax é responsável por 85% dos casos de malária, e o Brasil por 52% de todos os casos reportados da doença nas Américas, de acordo com o último relatório anual da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Conferência internacional

O andamento das pesquisas do uso da tafenoquina foram apresentados na 5ª Conferência Internacional de Pesquisa sobre Plasmodium Vivax, que ocorreu no mês de maio, em Bali, na Indonésia. Os doutores Marcus Lacerda e André Siqueira representaram a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) no evento.

Além da apresentação dos resultados conhecidos do estudo de fase II, que estabeleceu a dose de 300mg do medicamento como a adequada para as fases seguintes, foi atualizado o portfólio da pesquisa, incluindo a fase III em andamento – “no qual foi destacado o desempenho excepcional da FMT-HVD no recrutamento de pacientes”, de acordo com o Dr. André.

Os resultados só devem estar disponíveis e divulgados a partir do ano que vem, já que os pacientes são acompanhados por seis meses. Outras etapas incluem estudos do uso da tafenoquina em indivíduos com atividade deficiente da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) e estudos em população pediátrica – sendo que este último ainda está em planejamento.

Brasil sedia evento em 2017

A próxima conferência internacional sobre o tema ocorrerá no primeiro semestre de 2017, em Manaus. Segundo o Dr. André, a escolha da cidade como sede da reunião ilustra o reconhecimento da relevância e qualidade da pesquisa realizada pela comunidade de Medicina Tropical brasileira e, no caso, dos ensaios clínicos de antimaláricos, com especial destaque para a participação do Amazonas. O evento deve focar em novas modalidades de tratamento e controle do P. vivax, já com os resultados da fase três da tafenoquina.…